Fibra caminha para reeleger Jamal Bittar

juliocpontesPor ,18/01/2018 às 9:00, Atualizado em 18/01/2018 às 11:08

“O grupo está bastante harmonizado”, afirma o atual presidente da Federação da Indústria do DF. Sindicato alerta para possível perpetuação de poder

“Estamos tomando as composições naturais de formação de chapa” Foto: Júlio Pontes

Jamal Jorge Bittar será novamente presidente da Federação da Indústria de Brasília (FIBRA). Isso acontecerá porque a chapa dele será a única a concorrer ao pleito, que ocorrerá em março. Segundo o próprio Jamal, ele é unanimidade no processo “Meu nome é um consenso. Parece que o grupo está bastante harmonizado”, afirma.

Jamal trabalha para aparar arestas e evitar insatisfação entre os dez sindicatos filiados que elegem a diretoria da Fibra. “A gente trabalha internamente com os presidentes para que cada um tenha o espaço adequado no conjunto da federação”.

Entretanto, um dos presidentes de entidades sindicais filiados à Fibra, que pediu para não se identificar, alerta: “Ele blindou o estatuto para que só ele seja reeleito, para se perpetuar no poder”. E finalizou: “Pena é os sindicatos baterem palmas pra isso”.

Jamal Jorge Bittar foi eleito em 2014 para o primeiro mandato de quatro anos que se encerra agora. Em 2017, conseguiu alterar o estatuto, permitindo que o presidente possa concorrer a duas eleições consecutivas. Na terça-feira (16), ele foi ouvido pelo Brasília Capital:

 

As eleições na Fibra acontecerão em março. Foto: Júlio Pontes

Então o senhor é novamente candidato à presidência da Fibra? – Tem encaminhado para isso. Tivemos encontros com os presidentes dos sindicatos. Conversamos em dezembro. Parece que nosso nome encontrou consenso. Agora estamos trabalhando o processo formal e composição de chapa. Deve ser chapa única. É o que está em andamento. Parece que o grupo está bem harmonizado, graças a Deus. Vamos abrir o processo eleitoral.

Quando serão as eleições? – Abriremos o processo dia 18 de janeiro. Em princípio, as eleições serão dia 14 de março. Isso é uma previsão, pois existem variáveis de recursos que podem demorar mais ou menos tempo.

Tem alguém insatisfeito com a situação de ser chapa única? – Não.

Está tudo encaminhado para a reeleição? – Estamos tomando as composições naturais de formação de chapa. A gente trabalha internamente com os presidentes para que cada sindicato tenha o espaço adequado no conjunto da federação.

A reforma trabalhista vai ser uma dificuldade para a Fibra? – Pelo contrário. Vindo da área empresarial, a reforma foi muito acertada. Vai nos ajudar muito.

E em relação à contribuição dos sindicalizados? – Para os sindicatos, certamente haverá algum impacto. A reforma trabalhista foi muito interessante. Mas, falando especificamente da contribuição sindical, eu vejo com muita reserva, porque é a forma mais segura de arrecadação dos sindicatos. E, contrariamente ao pensamento de alguns, a reforma atinge tanto os sindicatos patronais quanto os laborais. Os sindicatos ficarão bastante prejudicados. É uma questão de sobrevivência. É uma questão grave. Eu levantei isso no conselho da Confederação Nacional de Indústria (CNI). Adverti sobre o tema em meados de 2017, mas poucos presidentes tiveram a iniciativa que eu tive e a posição empresarial era pela extinção. Só que esqueceram que isso atinge também os sindicatos da indústria, do setor produtivo, seja comércio ou prestação de serviços. E é uma maneira de arrecadação segura. Infelizmente nós vamos ter esse problema. Os sindicatos terão muita dificuldade de gestão. Fala-se em reinventar, mas é complicado reinventar. Eles já prestam um serviço para a sociedade e precisam de recursos para sobreviver.

Agora terão que convencer os trabalhadores a contribuir… – Isso é muito complicado. É algo que foi estúpido. Não tenho a menor cerimônia em dizer que a retirada total da contribuição deveria ser gradativa. Uma infelicidade. Deveria ser dividido em, no mínimo, 10 anos.

Mas o governo não conversou com as classes e entidades? –  Conversou com poucos setores. A ficha do setor produtivo caiu agora. Os sindicatos dos trabalhadores lutaram pouco. Sindicatos patronais e laborais lutaram pouco. Ou seja, Inês é morta. E o problema está aí. Os sindicatos não irão se ajustar para isso.

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