Os fabricantes de automóveis na Europa enfrentarão novas regras que os obrigarão a adquirir chips de pelo menos dois fornecedores em determinadas situações. Além disso, terão que considerar a resiliência das cadeias de abastecimento ao tomar decisões de compra. Essa mudança está prevista em um projeto de lei que a Comissão Europeia deve apresentar no próximo mês.
Após uma série de turbulências nas cadeias de abastecimento, a União Europeia se prepara para implementar medidas obrigatórias para grandes grupos como Volkswagen, Stellantis e Renault. O objetivo é evitar uma dependência excessiva de um único fornecedor de chips, especialmente da China. Essa iniciativa faz parte da revisão da legislação europeia sobre semicondutores, conhecida como Lei dos Chips 2. Essa lei está sendo elaborada como parte de um pacote de propostas destinado a fortalecer a soberania tecnológica da UE.
Atualmente, a versão do projeto ainda está em discussão na Comissão Europeia, podendo passar por alterações de última hora antes de sua apresentação formal no dia 3 de junho. A indústria automotiva tem enfrentado crises sucessivas de abastecimento desde que a pandemia de COVID-19 aumentou a demanda global por dispositivos eletrônicos, resultando em uma escassez de chips, essenciais para os sistemas elétricos dos veículos.
Como resposta a essa situação, a Comissão Europeia lançou a primeira Lei dos Chips, que incluía medidas para antecipar e mitigar crises nas cadeias de abastecimento em setores críticos. Agora, os responsáveis europeus acreditam que o tempo das recomendações chegou ao fim e que a indústria automotiva deve se submeter a regras mais rígidas.
Um fator importante nessa mudança de perspectiva é a situação da Nexperia, uma fabricante de chips dos Países Baixos. A empresa foi incluída na lista de sanções dos Estados Unidos devido a preocupações sobre possíveis aplicações militares de seus chips. Em resposta, o governo neerlandês assumiu o controle temporário da Nexperia para evitar a transferência de tecnologia e ativos para a China. Embora a situação tenha se normalizado após a redução das tensões comerciais entre os EUA e a China, a indústria automotiva ainda está em processo de recuperação.
Para os dirigentes europeus, a imposição de regras que obriguem a diversificação dos fornecedores de chips é vista como uma estratégia para reforçar a autonomia da Europa. Isso visa não apenas reduzir a dependência de um único fornecedor, mas também incentivar a produção local.