Espetáculo “Inventários”

bsbcapitalPor ,21/07/2013 às 13:13, Atualizado em 21/07/2013 às 13:13

O espetáculo brinca com a noção do público e do privado, em tom de comédia, capaz de emocionar. Três mulheres competem numa espécie de limbo televisivo, um aparente reality-show no qual expõem suas vidas num verdadeiro “sincericídio”. Todas elas têm um objeto do qual parte o monólogo de cada uma: um vestido, uma bacia, uma …

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O espetáculo brinca com a noção do público e do privado, em tom de comédia, capaz de emocionar. Três mulheres competem numa espécie de limbo televisivo, um aparente reality-show no qual expõem suas vidas num verdadeiro “sincericídio”. Todas elas têm um objeto do qual parte o monólogo de cada uma: um vestido, uma bacia, uma luminária.

Cada uma delas é convidada a se apresentar e a partir daí inicia-se um jogo frenético. O apresentador interrompe-as ao longo de sua catarsis, às vezes oportunamente e outras não, acompanhando as participantes, dando indicações e marcando o ritmo da obra. A partir de cada objeto, cada mulher confessará suas dúvidas, ansiedades, angústias e também os seus (raros) momentos de felicidade.
Esta é a primeira vez que Jacqueline, Angela e Bárbara têm holofotes sobre sua pequena existência e quando as válvulas são abertas, o fluxo não pára mais. Aos poucos, os espectadores vão percebendo que nada é exatamente como aparenta. Por trás da bondade de Jacqueline, há frustração e raiva. Por trás da candura de Angela, há solidão e desespero. E por trás do ar de superioridade de Barbara, há a amargura e o sofrimento nascido da falta de amor e da violência.

O princípio do jogo é simples: cada uma deve trazer um objeto que fale de perto a seu coração, contar a história dele e, ao fazê-lo, falar de sua própria história, suas dúvidas, medos e também de seus momentos felizes. Conflitos conjugais, miséria social, a morte miserável, desamor são temas alinhados numa galeria em meio a objetos que se confundem com elas mesmas. São relatos que fazem rir e emocionam. O espectador é tomado por um turbilhão de palavras que vão, aos poucos, delineando a vivência e o temperamento daquelas três mulheres – aparentamente tão comuns.
O texto do espetáculo é uma adaptação de Inventaires, primeira peça escrita pelo francês Philippe Minyana, em 1987. A peça já teve adaptação para a TV, tendo sido transformada em série francesa de grande sucesso. A montagem do Grupo Cena é a primeira no Brasil para o texto.

O elenco, composto por Adriana Lodi, Bidô Galvão, Carmem Moretzsohn e William Ferreira, teve boas críticas garantidas na primeira temporada. A direção fica a cargo de Guilherme Reis, e a cenografia, a direção técnica e a iluminação levam assinatura de Dalton Camargos. A trilha sonora foi composta pelo músico paulista André Abujamra, especialmente para o espetáculo.

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