Espanha, o inimigo que nos une

bsbcapitalPor ,01/07/2013 às 10:58, Atualizado em 01/07/2013 às 10:58

Evento teste da Fifa para o mundial de 2014, a Copa das Confederações, cuja final será disputada neste domingo (30) entre as seleções do Brasil e da Espanha, transformou o País num verdadeiro estádio de futebol. De um lado (o de dentro) ficaram os torcedores que incentivaram o time do técnico Luiz Felipe Scolari. Do …

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Evento teste da Fifa para o mundial de 2014, a Copa das Confederações, cuja final será disputada neste domingo (30) entre as seleções do Brasil e da Espanha, transformou o País num verdadeiro estádio de futebol.

De um lado (o de dentro) ficaram os torcedores que incentivaram o time do técnico Luiz Felipe Scolari. Do outro (o de fora), os cidadãos que se indignaram com os gastos excessivos de dinheiro público para a realização dos eventos e foram às ruas, numa onda de protestos tão caudalosa quanto inesperada.

Não houve premeditação nem qualquer tipo de organização entre os manifestantes.  Eles se mobilizaram por meio das redes sociais – em especial via Facebook – e mostraram ao mundo que o brasileiro não é exatamente um povo alienado, como parece.

As multidões deram o seu recado aos governantes: paciência tem limite. Cordialidade e resignação não podem ser confundidas com acomodação e insensibilidade para o desrespeito de que são vítimas.

O excesso de condições impostas pela entidade máxima do futebol mundial – desde os estádios “padrão Fifa” até a tentativa de determinar que roupa as pessoas poderiam usar, ou não, na abertura do evento, em Brasília, mexeram com os brios dos brasileiros.

Não se pode dizer, porém, que os abonados que puderam pagar os ingressos caríssimos para assistir aos jogos estavam dissociados do sentimento patriótico. Isto ficou claro na escolha do “inimigo” comum: o time espanhol.

Há muitos anos, tem-se notícia de que é na Espanha onde os brasileiros que tentam melhorar de vida no exterior sofrem as maiores humilhações. Muitos são barrados em aeroportos e deportados para o Brasil. É na Espanha onde nossas jovens são mais exploradas, num repulsivo tráfico de mulheres para a prostituição.

Os futebolistas podem até discordar, tentando manter essa rivalidade no limite das quatro linhas do campo de futebol. Trata-se, afinal, da atual campeã mundial e, de longe, o time mais poderoso.

Mas que, no fundo, no fundo, os brasileiros têm motivos de sobra para repudiar a “Fúria”, isto tem. E, pra completar, eles nos deram mais um, ao tentarem levar sete moças cearenses para uma balada no hotel onde estavam hospedados em Fortaleza, onde disputaram a semifinal da última quinta-feira (27), contra a Itália, na Arena Castelão.

Portanto, muito mais do que vencer o escrete comandado pelos maestros Xavi e Iniesta, a Seleção Canarinho, pelo desejo de toda a Nação, deve entrar em campo “com a faca nos dentes”.

Não basta apenas mostrar que o time é “a Pátria de chuteiras”. É hora de suplantar, mais uma vez, o nosso “complexo de viralatas”.

Com as bênçãos de Nelson Rodrigues.

Por Orlando Pontes

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