Escolas militarizadas têm mais dinheiro

BSB Capital 08/02/2019 às 17:38, Atualizado em 08/02/2019 às 17:39

Reginaldo Veras desafia GDF a dar a toda a rede pública as mesmas condições das quatro que receberão os militares

Embora seja aceita por grande parte da comunidade escolar em que serão instaladas, as gestões compartilhadas, ou escolas militarizadas, desagradam a uma grande parcela dos profissionais da educação. O projeto do GDF começa a valer na segunda-feira (11), quando quatro colégios incluídos no novo modelo de gestão iniciarão o ano letivo – o CED 7, em Ceilândia; CED 1, na Estrutural; CED 308, no Recanto das Emas; e CED 3, em Sobradinho.

 Na sessão da Câmara Legislativa de quinta-feira (7), o deputado Reginaldo Veras (PDT) subiu à tribuna para expor seus argumentos “pragmáticos, sem paixão e com muita objetividade” contrários ao projeto do governo. O professor explicou que o projeto garante que cada escola com gestão compartilhada receberá R$ 200 mil a mais para implementação, além de mais pessoal, afinal cada escola terá até 25 policiais em seu quadro.

Relembrando sua a experiência como gestor educacional de 1995 a 1998, na Expansão do Setor O, em Ceilândia, Veras desafiou o GDF: “me deem 200 mil a mais, liberdade para capitanear recurso junto à iniciativa privada, possibilidade de cobrar R$ 900 numa Associação de Pais e Mestres (APM), como cobra o Colégio Dom Pedro II, 20 orientadores educacionais ou psicólogos, que se eu não melhorar os índices de segurança na localidade e o do IDEB eu abandono este mandato”.

 Reginaldo Veras propôs uma comparação: dar as mesmas condições das escolas militarizadas para outras quatro escolas, sem a presença dos policiais, para se ter base de comparação real e não o “engodo” proposto por Ibaneis. Segundo o deputado, o projeto do governo fere a lei da gestão democrática das escolas, que atribui à comunidade a obrigação de eleger o diretor da unidade escolar.

“Essa alteração não pode ser feita por meio de decreto. Se isso acontecer, a Câmara Legislativa dá ao governador o poder de legislar”, disse. E concluiu: “eu não preciso de polícia para estabelecer a ordem na minha escola e na minha sala de aula”.        

O deputado Hermeto (PHS), que é policial militar de carreira e confundiu Veras com o xará Reginaldo Sardinha, aparteou o colega e declarou apoio ao projeto de militarização, em prol do “resgate de valores e patriotismo presentes nas escolas na década de 1970”. Veras rebateu: “é uma besteira dizer que só militar ama a pátria e os demais, não”.

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