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Entrevista com Tereza Campello

  • Redação
  • 23/10/2015
  • 22:34

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BC – O Bolsa Família completou 12 anos esta semana. O programa ajudou o Brasil a sair do mapa da fome das Nações Unidas?

 Tereza Campello – Hoje a gente não está mais falando de idéias. Nós já temos dados estatísticos mostrando tudo que conquistamos. O programa chega a 14 milhões de famílias. Sessenta por cento da mortalidade infantil causada por desnutrição foi reduzida para as crianças do Bolsa-Família. Só isso justifica o Brasil gastar 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto). No mundo todo o Bolsa-Família é conhecido não só por ser um programa de sucesso, mas por ser barato para esses resultados. Dezessete milhões de crianças na escola, com frequência escolar acompanhada, redução da mortalidade infantil. Desses 50 milhões de pessoas que recebem o Bolsa-Família, metade tem menos de 18 anos, ou seja, também saíram do trabalho infantil, estão garantidas na escola, fora do trabalho infantil, e os seus pais trabalham e o Bolsa-Família está completando essa renda.

BC – Mas o Bolsa Família ainda sofre muito preconceito…  

 Tereza Campello – Existe ainda muito preconceito, preconceito contra os pobres. O problema não é o Bolsa-Família. Tem muita gente que acha que a pessoa é pobre porque não trabalha. Isso não é verdade. As pessoas são pobres mesmo trabalhando muito, porque não tiveram oportunidade de estudar, não tiveram oportunidade de fazer um curso de qualificação profissional. Então, mesmo trabalhando muito, têm uma renda baixa e o Bolsa-Família complementa. O benefício é de R$ 167 por mês, em média, para a família. Ou seja, ninguém deixa de trabalhar para receber o Bolsa-Família, muito menos vai ter mais filho para ganhar R$ 167. A gente tem dados mostrando que o número de filhos por família pobre no Brasil caiu muito mais do que das demais famílias. Todos os dados mostram que não se justifica o preconceito. E o melhor remédio contra o preconceito é a informação, que hoje nós temos, após 12 anos de história e de realizações.

BC – Isto ajudou a mudar a posição do Brasil no mapa da fome mundial?  

Tereza Campello – O Brasil saiu do Mapa da Fome. Eram 10% da população brasileira em situação de fome até 2002 e caiu para 1,7% atualmente. As Nações Unidas dizem que ninguém conseguiu, num espaço tão curto de tempo, um resultado tão importante. Portanto, temos muito a comemorar nesses 12 anos, mas ainda temos muito a fazer, porque o Brasil continua um país muito desigual. E o Bolsa-Família está garantido, e continuará aí chegando nos lares dos brasileiros que mais precisam.

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