Júlio Pontes
A Câmara dos Deputados elegeu, na terça-feira (14), Odair Cunha (PT-MG) para ministro do Tribunal de Contas da União. Ao todo, 456 deputados participaram da votação nominal e secreta, e 303 votaram em Cunha. A conta revela que parlamentares de direita, esquerda e centro chegaram a um acordo pelo nome do petista.
Oficialmente, a indicação reuniu apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e de uma coalizão formada por MDB, PT, PDT, PCdoB, PSB e Republicanos. Nos bastidores, especula-se que até o senador Flávio Bolsonaro (PL) tenha atuado para que Soraya Santos (PL-RJ) retirasse sua candidatura.
Odair Cunha é advogado e está em seu sexto mandato consecutivo como deputado federal. Ele foi líder da federação PT-PV-PCdoB em 2024 e relatou o projeto de lei que criou o Bolsa Família, em 2004. Em 2012, foi relator da CPMI do Cachoeira, que investigou a relação do bicheiro Carlinhos Cachoeira com empresários e políticos.
O TCU tem, entre suas atribuições, analisar as contas prestadas anualmente pelo presidente da República e fiscalizar a aplicação de recursos públicos federais. Em seu discurso antes da votação, Cunha afirmou que a Corte não deve paralisar políticas públicas, mas auxiliar o Legislativo. “O tribunal não deve ser entrave, mas farol da boa gestão”, afirmou.
Agora, no TCU, o futuro ministro terá cargo vitalício, aposentadoria compulsória aos 75 anos (hoje ele está com 49), salário de R$ 44 mil atrelado ao teto constitucional, 13º salário, 1/3 de férias, quinquênio e conversão de até 10 folgas em dinheiro, com rendimentos que podem ultrapassar R$ 1 milhão por ano.