José Matos
Certa vez, numa viagem que fazia de avião, o médium Chico Xavier passou pela experiência desagradável de uma turbulência demorada que levou pânico a todos passageiros, que gritavam desesperados implorando a ajuda dos santos de suas devoções.
Chico, vendo o desespero, pensou: eles estão gritando pelos santos deles e eu também vou gritar pelo meu, e gritou: “Emmanuel, Emmanuel!”. Vidente que era, de repente viu o espírito Emmanuel entrar no avião e repreendê-lo: “Que desespero é este?”. O senhor não está vendo que estamos todos pra morrer?”, respondeu. “Pois morra com educação! Cadê seu testemunho de fé?”.
Fé é o estado de confiança que resulta de uma conduta caridosa e ética e tem como consequência a dignidade e a confiança nas leis de Deus e nos poderes celestiais.
Os espíritas não entenderam o ensinamento de Emmauel sobre morrer com educação e tratam do assunto como piada, esquecidos que Emmanuel não brincava e foi o guia mais rigoroso conhecido no meio espírita.
Ao cobrar equilíbrio de Chico, o guia estava, na verdade, ensinando educação para a morte. Existem quatro maneiras de morrer, deseducadamente, que causam sofrimento após a morte, mesmo para as boas pessoas. São elas: apego, preocupação, medo e mágoa.
O apego mantém a alma no ambiente da morada, causando a chamada casa mal-assombrada, ou perto do objeto de estimação, tornando o que chamam de objeto azarado. A preocupação faz a alma se deslocar para o lugar da pessoa motivo da preocupação.
O medo impede a alma de afastar-se da residência, e a mágoa faz com que ela permaneça perto de quem lhe magoou sem querer estar ali e sem conseguir afastar-se.
A hora da morte é momento de oração, de pedir perdão e ajuda a Deus, e de perdoar a quem lhe fez sofrer. Mas seria muito bom que não chegássemos a tanto. Para uma vida saudável, Jesus ensinou: oração, desapego, perdão e amor ao próximo como a si mesmo.
Buda, ensinou: meditação, compaixão e desapego. E Maomé pediu que ajudássemos os pobres e orássemos cinco vezes ao dia. “Estamos só de passagem. Nosso objetivo é observar, crescer, amar. E depois vamos pra casa”.