É necessário olhar com atenção para os planos de saúde

BSB Capital 13/01/2020 às 8:22, Atualizado em 13/01/2020 às 8:23

O aumento dos preços expulsa indivíduos, que passam a depender do SUS. O financiamento público, que já é insuficiente, não acompanha esse movimento

Terminamos o ano de 2019 com uma inflação geral de 4,31%. Mas no segmento da saúde a situação é bem diferente: A variação inflacionária foi de 17%. A quarta maior do mundo. Para parâmetro de comparação podemos citar a Austrália, que teve uma inflação geral de 2,4% e 3,8% na saúde.

A que se deve essa variação? Não aos honorários médicos, que têm contratos reajustados, quando muito, pelo índice oficial de inflação. As empresas apontam como causa o envelhecimento da população e a incorporação de novas tecnologias, mas isso é uma meia verdade.

É reconhecido que se usam mais serviços de saúde com o avanço da idade. Mas há que se considerar que os planos de saúde também são reajustados por faixa etária. Quanto mais velho o usuário, mais caro paga. Existem 1.512 demandas judiciais sobrestadas em instância superior a respeito dessa questão, que está em discussão no Superior Tribunal de Justiça.

O aumento dos preços na saúde suplementar cria outro problema, que é a expulsão dos que não conseguem mais arcar com os planos de saúde e passam a depender do Sistema Único de Saúde (SUS). O financiamento público, que já é insuficiente, não acompanha esse movimento.

E quando se fala em medidas para conter essa escalada da inflação dos planos de saúde, logo se levantam as vozes para sugerir corte na ponta – na remuneração do prestador de serviço (médico, dentista e outros). Isso por meio na mudança do modelo de remuneração, limitação e glosa de procedimentos.

À frente do Sindicato dos Médicos do DF e da Federação Nacional dos Médicos, um de meus focos é que os planos de saúde respeitem a autonomia dos médicos no tratamento dos pacientes e a remuneração justa.
Solução de longo prazo que se tem em vista para diminuir custos na saúde suplementar são programas de atenção primária à saúde, que têm a Estratégia Saúde da Família como equivalente no SUS.

Nesse contexto, o mercado é beneficiário da estratégia do Ministério da Saúde de fomentar a especialização de médicos em medicina de família e comunidade por meio do Programa Médicos pelo Brasil. Os profissionais que estão sendo enviados para os vazios serão disputados pelos planos de saúde e levados de volta aos grandes centros, onde os planos operam.

Também é necessário olhar para todos os elos da cadeia da saúde suplementar, corrigir as falhas de mercado, rever a remuneração dos atores e, eventualmente, eliminar ou restringir ganhos dos atravessadores existentes nessa cadeia. Assim, poderemos ter profissionais mais bem remunerados prestando serviços menos onerosos aos usuários.

Deixe um comentário

Rolar para cima