Dia das Mães, em família

mmPor ,16/05/2014 às 15:40, Atualizado em 16/05/2014 às 15:40

            No que se refere a mim, o sagrado substantivo mãe é apenas um som nasal, apesar de meu saudoso pai ter tentado preencher esse vácuo afetivo nos meus 10 primeiros anos de vida, quando ele foi embora tão cedo me deixando órfão duplamente. Desde então, sofria toda vez que o …

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            No que se refere a mim, o sagrado substantivo mãe é apenas um som nasal, apesar de meu saudoso pai ter tentado preencher esse vácuo afetivo nos meus 10 primeiros anos de vida, quando ele foi embora tão cedo me deixando órfão duplamente. Desde então, sofria toda vez que o calendário convencional sugeria que a data fosse comemorada, não obstante no meu caso, à época, não ter sequer família.  Neste segundo domingo de maio (11), derramei lágrimas, sim, mas foi de pura felicidade com a comemoração do Dia das Mães, em família.

Tudo aconteceu quando minha mulher, Lêda, foi homenageada no café da manhã por nossos dois filhos, Fernanda e Cláudio, incluindo o terceiro, Marcos, que exerce a dupla função de genro e filho adotado. Começamos com uma oração, agradecendo a Deus pelo milagre de nos ter enviado uma virgem de nome Maria, que concebeu numa manjedoura um menino chamado Jesus.

Daí em diante, o que seria para este escriba apenas um farto desjejum, com salada de frutas, presunto de peru, queijo mussarela, baguete com gergelim, regados a sucos de frutas, na verdade se transformou num autêntico banquete espiritual, ao ouvir os depoimentos de agradecimentos dirigidos à Mamãe Lêdinha (aliás, merecidos), que se continha para permanecer com os olhos secos (diferente do marido emocional, eu, ela não costuma chorar em público).

Para complementar, o Claudinho (aqui em casa, todos são “inhos” ou “inhas”) leu uma obra-prima de carta manuscrita, redigida pelo coração da Naninha, documento que devia ser publicado nas primeiras páginas de todos os jornais do mundo. E foi aí que, sem ser membro e médium da doutrina kardecista, senti que duas entidades iluminadas encontravam-se ali por perto, felizes: Margarida, minha mãe; e Lúcia, mãe do Marcos. Por coincidência, ambas exerceram a profissão de professoras, em vida. A única diferença, é que meu genro, o caçula de quatro irmãos, teve a sorte de conhecer sua genitora, mesmo por pouco tempo.

Que o prezado leitor me desculpe o surrealismo desta croniqueta semanal, mas minha intenção, ao externá-la, foi a esperança de que todos  vocês tenham tido o mesmo maravilhoso desfrute do Dia das Mães, em família, tal qual fui agraciado de surpresa. E que de repente (não mais do que de repente, como diria Vinicius de Moraes), não me senti mais órfão, como antes!

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