Caroline Romeiro (*)
Alguns sabores têm o poder de atravessar gerações. O cheiro do café passado, o bolo preparado em família, o almoço de domingo ou aquela receita típica feita “do jeito da mãe” carregam muito mais do que ingredientes: carregam afeto, identidade e memória.
No domingo (10), celebra-se o Dia das Mães. Nesta data é impossível não refletir sobre como a alimentação também faz parte das nossas histórias e vínculos familiares. Em muitas casas brasileiras, mães, avós e cuidadoras tiveram papel fundamental na transmissão de tradições culinárias e hábitos alimentares que permanecem vivos ao longo do tempo.
O Guia Alimentar para a População Brasileira destaca que alimentação adequada e saudável vai além dos nutrientes. Comer envolve cultura, convivência, emoções e modos de viver. Entre seus princípios, o Guia reforça a importância de valorizar alimentos in natura e minimamente processados, preparações culinárias tradicionais e o hábito de realizar refeições em companhia.
Cozinhar e compartilhar refeições são práticas que fortalecem vínculos, promovem saúde e ajudam a preservar a cultura alimentar brasileira. Nesse contexto, também ganha destaque o conceito de soberania alimentar, que representa o direito das populações de manter seus hábitos alimentares, valorizar alimentos regionais e fortalecer a produção local.
Defender a comida de verdade, as receitas tradicionais e os alimentos produzidos no território brasileiro é também proteger a cultura, a saúde, a biodiversidade e a identidade social, especialmente diante do crescimento do consumo de alimentos ultraprocessados e da padronização dos hábitos alimentares.
Neste Dia das Mães, mais do que presentear, talvez seja o momento de resgatar memórias afetivas por meio da comida: preparar uma receita de família, sentar-se à mesa sem pressa e compartilhar histórias. Afinal, muitos dos momentos mais marcantes da vida estão associados aos sabores que nos acolhem desde a infância. Porque alimentar também é uma forma de cuidar, amar e construir memórias.
(*) Mestre em Nutrição Humana, coordenadora Técnica do Conselho Federal de Nutrição e docente do Curso de Nutrição da Universidade Católica de Brasília