Tácido Rodrigues
Brasília deu um passo inédito na transição para um transporte mais limpo ao colocar em operação, na quarta-feira (24), o primeiro ônibus comercial do Brasil movido a hidrogênio verde. Com capacidade para 71 passageiros, o modelo apresenta autonomia de cerca de 300 quilômetros e tempo de reabastecimento de 10 a 15 minutos, desempenho semelhante ao de veículos convencionais, mas com impacto ambiental praticamente nulo.
A reportagem do Brasília Capital pegou uma carona no veículo, que funciona por meio de uma célula de combustível que utiliza hidrogênio em reação com o oxigênio do ar para gerar eletricidade — produzido em uma usina instalada no Taguaparque, em Taguatinga, pela Neoenergia. O processo substitui a queima de combustíveis fósseis e, como resultado, o ônibus libera apenas vapor d’água pelo escapamento.
A partir de sábado (28), às 10h, o ônibus passa a circular em um trajeto que inclui alguns dos principais cartões-postais da cidade, na chamada Rota Monumental. Com duração de cerca de 1h30, a rota tem como ponto de partida a Torre de TV e vai passar pelo Estádio Nacional Mané Garrincha, Palácio do Buriti, Catedral Rainha da Paz, Memorial JK, Praça do Cruzeiro, Memorial dos Povos Indígenas, Parque da Cidade, Planetário, Complexo Cultural da República, Catedral Metropolitana, Palácio do Itamaraty, Congresso Nacional, Palácio do Planalto, Esplanada dos Ministérios e Teatro Nacional.
CIDADE INTELIGENTE – Segundo o secretário executivo de Transporte e Mobilidade do GDF, Alex Carreiro, a introdução do hidrogênio verde no transporte coletivo poderá ganhar escala nos próximos anos, especialmente no BRT. “É um transporte limpo, silencioso e inovador. Esse projeto abre caminho para avaliar a aplicação da tecnologia no sistema como um todo e reforça o compromisso com a qualidade do serviço prestado à população”, afirmou.
O CEO da Neoenergia, Eduardo Capelastegui, reforçou o caráter pioneiro da iniciativa e o potencial de expansão da tecnologia. “O objetivo é mostrar que, utilizando água, se consegue movimentar um ônibus com emissão zero [de carbono], totalmente sustentável. Escolhemos o DF para amplificar esse projeto piloto e para que as pessoas vejam os ônibus circulando na capital da República”.
Para Cadu Souza, CEO da TEVX, empresa brasileira especializada no desenvolvimento de soluções inovadoras de eletromobilidade, “cidades inteligentes são aquelas que têm como foco a qualidade de vida de seus habitantes”. “A força desse projeto está em abrir as portas de uma rota turística que contempla a nossa história com a inovação de uma solução a hidrogênio que contribui para um futuro mais sustentável da mobilidade no país”.
Saiba +
O hidrogênio verde é um tipo de hidrogênio produzido sem emissão de carbono. Ele é obtido por meio da eletrólise da água, um processo que separa o hidrogênio do oxigênio usando eletricidade proveniente de fontes renováveis, como hidrelétrica, eólica ou solar. Por ser limpo desde a geração até o uso, o hidrogênio verde se torna uma alternativa para setores de difícil eletrificação com as tecnologias atuais. O projeto utiliza combustível produzido em planta piloto localizada em Taguatinga, construída com investimento de R$ 30 milhões da Neoenergia com recursos do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em parceria com a TEVX e o GDF.