A advogada e influenciadora Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira (21) durante uma megaoperação do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital, o PCC. Segundo as investigações, ela teria recebido mais de R$ 1 milhão em depósitos associados à organização criminosa.
Batizada de Operação Vérnix, a ação também teve como alvos Marco Herbas Camacho, o Marcola, o irmão dele, Alejandro Camacho, além dos sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho. Parte dos investigados estaria fora do país.
De acordo com a polícia, o esquema utilizava uma transportadora de cargas de Presidente Venceslau, no interior paulista, como empresa de fachada para movimentar dinheiro ilícito da facção. A análise de celulares e movimentações bancárias identificou conexões financeiras entre operadores do grupo e contas ligadas à influenciadora.
As investigações apontam que Deolane recebeu depósitos fracionados de 2018 a 2021, prática conhecida como “smurfing”, utilizada para dificultar o rastreamento bancário. Também foram detectadas transferências para empresas vinculadas à advogada sem comprovação de origem dos recursos ou prestação de serviços.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 357,5 milhões em bens e valores dos investigados. Apenas em nome de Deolane, o bloqueio judicial chega a R$ 27 milhões. Durante a operação, os agentes ainda apreenderam 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões.
Esta é a segunda vez que a influenciadora é presa. Em 2024, ela já havia sido alvo de uma operação da Polícia Civil de Pernambuco que investigava jogos ilegais e lavagem de dinheiro.
A Operação Vérnix é a terceira fase de uma investigação iniciada em 2019, após a apreensão de bilhetes dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau. A partir das mensagens, os investigadores passaram a rastrear estruturas financeiras usadas pelo PCC para ocultação de patrimônio e circulação de dinheiro da facção.