Pressionado pelo Programa Pé-de-Meia e pelos reajustes no funcionalismo público, o Governo Central, que inclui o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central, registrou um déficit primário de R$ 30,046 bilhões em fevereiro de 2026. Esse dado foi divulgado nesta segunda-feira, 30 de março de 2026, pelo Tesouro. O déficit primário ocorre quando as despesas superam as receitas, sem contar os juros da dívida pública. Embora o resultado tenha sido negativo, houve uma leve melhora em comparação com o mesmo mês do ano passado, quando o rombo foi ainda maior: R$ 31,598 bilhões. Surpreendentemente, o desempenho superou as expectativas do mercado, sugerindo um alívio nas contas públicas no curto prazo. A pesquisa Prisma Fiscal, que envolve instituições financeiras e é divulgada mensalmente pelo Ministério da Fazenda, previa um resultado negativo de R$ 34,3 bilhões. Esse resultado é reflexo de um aumento nas receitas, impulsionado pela arrecadação de tributos. No entanto, as despesas também cresceram, especialmente em áreas como Previdência, pessoal e programas sociais. No acumulado do ano, o governo ainda apresenta um superávit, graças ao resultado positivo de janeiro, o que ajuda a equilibrar um pouco as contas. Em fevereiro, o déficit foi impactado por receitas que não conseguiram cobrir os gastos totais do governo. É importante notar que a arrecadação cresceu em termos reais, ou seja, acima da inflação. Na prática, isso significa que, embora o governo tenha arrecadado mais, ainda não foi o bastante para cobrir todos os gastos. Entre os destaques, dois fatores ajudaram a compensar a queda em receitas não administradas, como os dividendos de estatais. Contudo, os gastos também aumentaram, pressionando o resultado final. Esse crescimento nas despesas está atrelado tanto a políticas públicas quanto ao aumento no número de beneficiários e aos reajustes salariais. No primeiro bimestre do ano, o governo ainda registra um resultado positivo, impulsionado pelo superávit de R$ 86,9 bilhões em janeiro. Para 2026, a meta do governo é encerrar o ano com um superávit de 0,25% do PIB, o que equivale a cerca de R$ 34,3 bilhões. Vale lembrar que o arcabouço fiscal permite uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB). Na prática, na semana passada, os ministérios da Fazenda e do Planejamento informaram que, ao considerar todos os gastos públicos, a previsão oficial de déficit para o ano é de R$ 59,8 bilhões. No que diz respeito aos investimentos, que incluem obras públicas e compra de equipamentos, o montante alcançou R$ 9,527 bilhões em janeiro e fevereiro, representando uma alta de 49,7% em relação ao mesmo período do ano passado, descontada a inflação.