Da Ceasa direto para os ambulantes

bsbcapitalPor ,31/05/2015 às 10:50, Atualizado em 31/05/2015 às 10:50

Pontos de venda irregular às margens de rodovias recebem produtos distribuídos por fornecedores da Central do Governo de Brasília Gustavo Goes Uma bandeja de caqui ou de uva por R$ 5; cinco laranjas e seis abacaxis pelo mesmo preço, apenas R$ 10; melancia a R$ 10 a peça. Quem passa pela Estrada Parque Vicente Pires …

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Pontos de venda irregular às margens de rodovias recebem produtos distribuídos por fornecedores da Central do Governo de Brasília

Gustavo Goes

Uma bandeja de caqui ou de uva por R$ 5; cinco laranjas e seis abacaxis pelo mesmo preço, apenas R$ 10; melancia a R$ 10 a peça. Quem passa pela Estrada Parque Vicente Pires (EPVP) de longe identifica os vendedores ambulantes. Eles comercializam seus produtos à margem da via e da legalidade. O preço abaixo dos praticados pelos supermercados e verdurões e a praticidade da compra atraem os clientes, normalmente moradores de Águas Claras, Park Way e Núcleo Bandeirante, que passam por ali.

_MG_6253Esses novos “empreendimentos” são apenas mais uma gota no mar de irregularidades que toma conta do Distrito Federal. O problema é fruto da falta de fiscalização, que motivou até atacadistas a inaugurarem seus comércios em qualquer lugar que tenha fluxo constante de pessoas. Caminhões com frutas e verduras, similares aos que abastecem feiras e verdurões, passam diariamente por esses pontos de beira de estrada para entregar os produtos aos comerciantes ilegais. Segundo um vendedor, que não se identificou, o fornecedor é a própria Central de Abastecimento do Distrito Federal, a Ceasa.

De acordo com a Ceasa, são 460 produtores e 180 empresários, muitos deles também produtores, que comercializam frutas, verduras e legumes diariamente na feira da Central. “A grande quantidade de consumidores, entre eles comerciantes regulares e irregulares, faz com que a Ceasa não tenha total controle do destino dos produtos que são vendidos”, disse a assessora de imprensa da empresa, Vaneska Freire.

A Ceasa declarou ainda que “não distribui os produtos e que os ônibus do órgão não são de distribuição, e sim, parte de um projeto que leva os alimentos para perto do consumidor e são comercializados dentro do próprio local”. A falta de controle faz com que os caminhões de distribuição, que abastecem estabelecimento lícitos, também forneça produtos para os comércios irregulares.

Similar às barracas de venda de frutas e verduras, o ônibus da Ceasa, que semanalmente aparecem em Águas Claras para comercializar seus produtos, também se instalam em lugares públicos. Sobretudo, em locais de grande circulação de pessoas, como Avenida Pau Brasil, próximo à sede local do Tribunal Regional Eleitoral. A prática é a mesma dos comércios irregulares e incentiva os moradores a aderirem ao comércio de rua, que se tornou mais prático e mais barato do que supermercados, feiras e verdurões.

Ilegalidade

O tema já foi abordado pelo Brasília Capital nas edições 191 (“A cidade da desordem”) e 207 (“Ilegalidade toma conta do DF”). A primeira reportagem abordou o Setor de Igrejas, localizado no P-Norte e no Setor de Indústrias da Ceilândia, onde estavam sendo erguidos oito templos religiosos irregulares. Em ambas as matérias o jornal apontou a falta de fiscalização como causa do aumento das práticas irregulares na capital da República.

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