Raúl, agora com 85 anos, deu alguns passos para encaminhar um substituto institucionalizado e moderado que garanta a existência do sistema socialista cubano. \”Nós estamos concluindo o cumprimento de nosso dever, é preciso dar passagem a novas gerações ou continuar abrindo caminho paulatinamente\”, disse o general-presidente em 2006, poucos meses após assumir as rédeas do poder em Cuba.
Talvez por isso, cinco anos depois ele anunciou a decisão de limitar a permanência no poder a um máximo de dez anos (dois mandatos consecutivos). Deste modo, Raúl Castro deve deixar a presidência de Cuba em 2018, após ter sido reeleito para um segundo mandato de cinco anos em fevereiro de 2013.
Naquela data, ele designou como primeiro vice-presidente e número dois do governo Miguel Díaz-Canel, nascido em 1960, em um claro sinal de renovação geracional na cúpula do poder cubano. A nomeação de Díaz-Canel foi definida pelo próprio general como \”um passo definitório na configuração da direção futura do país\”.
Jovens x históricos
O atual primeiro vice-presidente cubano é o principal rosto de um grupo de dirigentes que não pertencem à geração histórica da Revolução (nasceram após 1959) e que foram promovidos a destacados cargos políticos durante a etapa raulista.
A esse grupo também pertencem figuras como o vice-presidente Marino Murillo, coordenador da \”atualização\” promovida por Raúl e considerado o \”czar\” das reformas que nos últimos sete anos abriram controlados espaços à iniciativa privada e eliminaram proibições que durante décadas afetaram os cubanos.
O presidente também elevou a destacados postos mulheres de menos de 50 anos. É o caso de Mercedes López Acea, que entrou no birô político do Partido Comunista no Congresso de 2011 e que é a primeira secretária do partido em Havana.
No entanto, ainda estão em atividade históricas figuras da \”velha guarda\” revolucionária em destacados postos do regime, como é o caso de José Manuel Machado Ventura, de 86 anos e segundo secretário do PCC, e Ramiro Valdés, de 84 anos, um dos \”históricos\” da Revolução cubana, participante da ação militar de 26 de julho de 1953.
Com \”jovens\” ou com \”históricos\”, de qualquer forma o poder em Cuba é articulado em torno de duas poderosas estruturas: o Partido Comunista, fiador da ortodoxia política da Revolução, e as Forças Armadas Revolucionárias, que controlam os setores-chave da economia cubana e suas principais empresas estatais.