Criador a Nordeste

bsbcapitalPor , Mario Pontes24/12/2020 às 9:00, Atualizado em 18/12/2020 às 10:51

Livro-documentário “Impressões sobre Nauro Machado”, organizado por Arlete Nogueira, conta a história do escritor maranhense

Livro-documentário “Impressões sobre Nauro Machado”, organizado por Arlete Nogueira, conta a história do escritor maranhense. Foto: Divulgação.

Nauro Machado tornou-se bem conhecido desde cedo, isto é, nos primórdios de sua vida de intelectual criativo. Nesses decênios, apesar do isolamento, sua poesia tem sido positivamente recebida por leitores de boa parte do país. Além de leitores, não lhe faltaram críticos competentes e honestos para aferir a qualidade do que escreve.

Agora, tanto os leitores antigos quanto os que só recentemente tomaram conhecimento da obra do poeta maranhense, dispõem de um extenso documentário, capaz de ampliar o conhecimento dos fatos da vida do autor, documentário que pode ajudá-los em um julgamento mais seguro de suas qualidades artísticas.

O livro-documentário intitula-se Impressões sobre Nauro Machado (Ed.Halley), e é organizado por  Arlete Nogueira da Cruz Machado,  companheira do poeta. Em suas 628 páginas, o volume acolhe, além da contribuição biográfica de Arlete, nada menos de 260 breves textos avaliativos, assinados por 130 autores oriundos de vários estados. Alguns são críticos profissionais; outros, conhecidos por suas obras de criação literária. Mas o fato é que cada um contribui para a fixação da imagem do poeta maranhense no grande cenário da literatura brasileira.

Entre os que têm ajudado a construir e fixar a imagem inquieta e criativa de Nauro, bem como no reconhecimento das positivas qualidades de sua poesia, estão críticos bem conhecidos em todo o país, como Antônio Olinto, que tratou do sagrado e o profano na obra de Nauro; Fábio Lucas, que examinou, em particular e com muita propriedade, das razões vivenciais e filosóficas do poeta na escolha dos seus caminhos. E outros, que procuraram caracterizá-lo como um poeta capaz de encontrar a luz no meio das trevas; e, finalmente, que medida também o inspiram a herança do clássico e os frutos da modernidade.

Faltou alguma coisa em Impressões sobre Nauro Machado? Sim. Faltou à organizadora a lembrança do quanto é difícil ao leitor das pequenas cidades adquirir  livros  publicados a milhares de quilômetros dos grandes centros culturais,  muitas vezes comercializados em microlivrarias, onde tudo depende  da boa vontade e dos esforços de modestos livreiros interioranos para tê-los em suas prateleiras e vitrines, à disposição de suas isoladas clientelas.

É necessário não esquecer o particular e valioso interesse de tais clientes pela obra de autores cujas vidas e cuja atividade criativa registrou-se em algum lugar situado a milhares de quilômetros dos grandes centros. Para minorar essa carência, Nauro bem poderia ter sido agraciado com a reserva de pelo menos um caderno – digamos dezesseis das seiscentas e tantas páginas do volume – destinado à publicação de uma microantologia de seus poemas. Apesar de poucas, essas páginas antológicas satisfariam a curiosidade do leitor pelo poeta de quem se fala ao longo de cadernos e cadernos, mostrariam como ele se inspirava e passava para o papel os frutos de sua inspiração.

Mas mesmo sem essa esclarecedora microantologia, vale a pena ler com atenção as numerosas páginas desse testemunho crítico inevitavelmente dominado pela emoção.

(*) Jornalista e escritor

Deixe um comentário

Rolar para cima