Cecília Garcia (*)
Caramelo, pretinho, meio-poodle, raposinha, fiapo de manga, tigrado, frajola… Seja qual for a “raça”, os vira-latas são símbolo nacional e brilham em memes na internet. Contudo, o que essa exaltação esconde é um retrato muito triste de abandono.
No Brasil, mais de 4,5 milhões de cães e gatos vivem em situação de vulnerabilidade, incluindo aqueles abandonados ou sem tutela definida. Dados do Instituto Pet Brasil apontam que, desse total, mais de 200 mil pets estão sob a guarda de organizações não-governamentais (ONGs).
O saldo de animais em vulnerabilidade mostra o abismo da capacidade de atendimento desses locais, realidade compartilhada pelo vice-presidente do Abrigo Flora e Fauna, Wellington Fabiano, que há 21 anos atua no resgate e cuidados a esses animais.
O papel das ONGs é dar apoio, atuar em conjunto com a comunidade. Sozinhos, não é possível fazer o trabalho. “Todas as ONGs estão superlotadas, em situação que não conseguem mais abrigar novos animais”, afirma Wellington. “Precisamos de apoio e que a sociedade se junte para que possamos fazer mais e mudar a vida desses animais”.
Em época de férias, ou às vésperas de grandes feriados, a situação do abandono é acentuada. Pets são deixados à beira de estradas, em estacionamentos, terrenos baldios, entre outros lugares.
Mas é preciso lembrar que abrigos não são depósitos. De acordo com Wellington, “as pessoas acham que é só pegar um animal na rua e colocar dentro de um abrigo. Mas não é assim. Precisamos de conscientização, castração e educação corretas”.
O QUE É POSSÍVEL FAZER? – A responsabilidade por esses pets está ancorada no tripé governo, ONGs e sociedade. Além de cobrar o Poder Público para que sejam efetivadas políticas públicas, as pessoas podem contribuir individualmente com a redução do número de animais nas ruas, ou dar apoio aos abrigos.
Uma das formas é fazer campanhas junto a vizinhos e comunidade, e divulgar informações sobre animais disponíveis para adoção responsável. É possível, também, melhorar a qualidade de vida desses pets disponibilizando casinhas, alimentos e água na frente de casa.
Caso essas opções não sejam viáveis, ajudar ONGs a castrar animais, fazer doação de ração e produtos de limpeza, ajudar em mutirões podem ser um caminho.
Procure um abrigo e veja como contribuir!
(*) Jornalista | Mestre em Comunicação