Complexo de Ofélia

orlandopontesPor ,13/11/2020 às 15:24, Atualizado em 13/11/2020 às 15:32

Bolsonaro, que só abre a boca quando tem certeza, chama brasileiros de maricas e ameaça usar pólvora contra os EUA

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O falecido ator Lúcio Mauro formava o casal Fernandinho e Ofélia com a atriz Cláudia Rodrigues no programa humorístico Zorra Total. Ela falava asneiras e sempre concluía com o bordão: “eu só abro a boca quando tenho certeza”. A mesma convicção parece ter o atual titular do Palácio do Planalto.

Jair Bolsonaro sempre foi conhecido por declarações polêmicas. No entanto, até os seus seguidores se surpreenderam com a enxurrada de absurdos pronunciados pelo presidente da República durante uma cerimônia para impulsionar o turismo no País, terça-feira (10), no Palácio do Planalto.

“O Brasil tem que deixar de ser um país de maricas” e enfrentar a pandemia de covid-19 “de peito aberto”. Também disse que, “quando acaba a saliva, tem que ter pólvora”, ao se referir à Amazônia, sem citar o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, que, em debate com o adversário Donald Trump, em setembro, cogitou impor sanções ao Brasil devido ao desmatamento na Amazônia.

Reações – As reações políticas e nas redes sociais foram imediatas. “Entre pólvora, maricas e o risco à hiperinflação, temos mais de 160 mil mortos no país, uma economia frágil e um estado às escuras (referência ao apagão no Amapá)”, escreveu Rodrigo Maia (DEM-RJ). “Reafirmo o nosso compromisso com a vacina, a independência dos órgãos reguladores e com a responsabilidade fiscal”, completou o presidente da Câmara dos Deputados, em nome da Casa, após lembrar os mais de 160 mil mortos no Brasil pela doença e prestar solidariedade aos parentes e amigos das vítimas da covid-19.

Maia ainda defendeu, em uma rede social, o compromisso da Câmara com a vacina contra o novo coronavírus. Naquele dia, Bolsonaro comemorara a suspensão dos testes do imunizante da CoronaVac, desenvolvido pelo laboratório chinês Sinovac e produzida no Brasil em parceria com o Instituto Butantan. A medida foi revogada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) 38 horas depois.

Maricas e rachadinha

Senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). Foto: Reprodução

Dias antes, Bolsonaro havia dito que beber guaraná Jesus, um refrigerante cor de rosa muito popular no Maranhão, “é coisa de boiola”. A impressionante fixação do presidente por comparações esdrúxulas de caráter sexual e, na maioria das vezes, homofóbicas, só não chegou à rachadinha, pela qual o seu filho zero um tem verdadeira tara.

O senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) está cada vez mais comprometido nas investigações sobre a prática de corrupção a partir da arrecadação de parte dos salários de seus funcionários quando era vereador na ALERJ. E isto, aparentemente, tem tirado seu pai do eixo.

Ao dizer que “o Brasil tem de deixar de ser um país de maricas, pô” e enfrentar o novo coronavírus “de peito aberto”, o marido da Michelle Bolsonaro aproveitou o “papo de boteco” com agentes de turismo no Planalto para chamar os profissionais de imprensa, que cobriam o evento, de “urubuzada”.

A sede do governo virou um bordel de quinta categoria, principalmente quando o ocupante da cadeira mais ilustre abre a boca. Afinal, se profissionais que recolhem impostos e têm Carteira de Trabalho assinada são ”urubus”, o que seriam os representantes da população adeptos da “rachadinha? Ou políticos/empresários campeões mundiais de venda de panetones de chocolate em dinheiro vivo?

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