Com a seca, o Distrito Federal está com ares de deserto

BSB Capital 09/07/2014 às 9:42, Atualizado em 09/07/2014 às 9:42

Não está perto dos 10% de 2011, mas a umidade relativa do ar no DF, como de praxe no meio do ano, voltou a cair e justificar a fama de Brasília como uma “cidade seca”. Na última sexta-feira,   data em que o Brasil jogou pela Copa do Mundo, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) …

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Não está perto dos 10% de 2011, mas a umidade relativa do ar no DF, como de praxe no meio do ano, voltou a cair e justificar a fama de Brasília como uma “cidade seca”. Na última sexta-feira,   data em que o Brasil jogou pela Copa do Mundo, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) registrou 24%, a medição de umidade mais baixa de 2014.

“Dentro do apresentado neste ano, está tudo normal”, afirma o meteorologista do Inmet,  Hamilton de Carvalho. “Uma massa de ar seco e quente se concentra na parte central do País. Em junho temos um período seco com temperaturas baixas que vai até o fim de setembro”, explica o técnico.

Saúde x Secura

O analista de sistemas Leandro Caiado,   32, morador do Lago Sul, nasceu na cidade e se diz adaptado: “É clima de deserto, mas é possível viver  de maneira saudável”, atesta. Como hobbie, ele pratica atividades físicas no Parque da Cidade quase todos os dias e, mesmo durante a seca, não abre mão do lazer.

“Gosto de vir ao parque ao meio- dia, pois há menos gente. O sol está forte, mas   já estou adaptado. Uso óculos, boné e protetor solar”, diz. Segundo Leandro, sua principal tática   é a ingestão de muito líquido e uso de cremes hidratantes.

“O importante é beber água. Não refrigerante ou suco, água mesmo”, orienta o otorrinolaringologista do Hospital Santa Lúcia,   Jaime Antônio Siqueira. “Também não devemos nos expor muito ao ar-condicionado, pois ele retira a umidade   e faz circular o vento seco. Se os filtros não estiverem limpos, podem prejudicar a respiração”, adverte.

Segundo o médico, o tempo seco leva ao ressecamento das mucosas das vias aéreas, o que deixa garganta e nariz, por exemplo, mais sensíveis a sangramentos. Pessoas com quadros de rinite   sofrem mais, pois a secura está associada à poeira, que irrita os canais respiratórios.

Por conta da baixa umidade, a veterinária Patrícia Neves, de 36 anos, faz uso de descongestionante nasal quase todos os dias antes de dormir. “Eu gosto de Brasília, mas confesso que quando vou à praia, não preciso disso”, brinca. Três vezes por semana ela frequenta o parque e procura manter-se sempre bem hidratada, independente do horário.

“Antes de vir costumo comer muita laranja e melancia. Durante a atividade física, também tomo bastante água”, revela, pouco antes de utilizar um dos bebedouros disponíveis no Parque da Cidade. “Gosto do clima seco, pois o cabelo fica melhor. Quando fico muito ao sol, passo bastante protetor”, diz.

Em Brasília há uma semana, o casal de aposentados Jorge Tauil, de 58 anos, e Inez Chandler,   60, gostou do clima seco de Brasília. “Em Buenos Aires, de onde viemos, é úmido por demais”, brincou o marido. Sua esposa gostou do efeito capilar provocado pelo tempo. “A umidade alta maltrata muito mais minhas madeixas”, disse a senhora.

Eles aproveitaram   para explorar mais um pouco a cidade. O destino foi escolhido devido ao jogo entre Argentina e Bélgica, ocorrido no Estádio Nacional Mané Garrincha, o último sábado.

“Já sabíamos da fama daqui e por isso nos prevenimos ao vir ao parque”, contou Jorge. “Tomamos muita água e protegemos a pele com cremes”, completou.

De acordo com o dermatologista Ricardo Fenelon, o bloqueador solar é   importante para se manter saudável durante a seca, mas é ainda mais aconselhável buscar no mercado aqueles que também hidratam a pele. “Deve-se ainda evitar o banho quente, pois isso desidrata a pele. O ideal é água morna ou fria”, aconselha.

“Como temos um clima agressivo, com umidade baixa e muito sol,   a pele tende a ressecar. Pessoas da terceira idade e crianças alérgicas sofrem mais. Essas pessoas podem se coçar, abrir feridas na pele e dar oportunidade para que haja infecções”, explica o especialista. Ele alerta também para o uso exagerado de sabonetes.

“O sabão tira a lubrificação natural da pele, que impede a evaporação da água absorvida pelo tecido epitelial”, alerta. Assim como o otorrinolaringologista  Jaime Antônio Siqueira, o dermatologista recomenda a abundante ingestão de líquidos, especialmente água, e a escolha adequada de horários para praticar atividades físicas sob o sol. O período que deve ser evitado é das 11h às 15h.

Queimadas

Temporada de seca também é sinônimo de queimadas, situação que também potencializa os efeitos da secura à saúde da população, devido à fuligem.   De janeiro até abril deste ano, o Corpo de Bombeiros contabilizou 389 incêndios florestais, tanto em áreas rurais quanto em parques e plantações. A soma chega a mais de três queimadas por dia. O número tende a aumentar a partir de agora, pois as chuvas não devem surgir tão cedo no Distrito Federal.

Dicas

– Beba pelo menos oito copos d’água por dia.

– Faça uso de hidratantes de pele ao longo do dia.

– Não tome banhos muito quentes.

– Evite atividades físicas mais pesadas das 11h às 15h

– Faça uso de protetores solares ao se expor ao sol.

– Não abuse no uso de sabonetes durante o banho.

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