Ciclovia? Que ofensa!

bsbcapitalPor ,27/09/2015 às 21:36, Atualizado em 27/09/2015 às 21:36

Mario Pontes RIO – A Casa Grande sempre se mostra irritada diante de qualquer iniciativa que resulte em algum benefício aos da Senzala. Como se verá nos dois exemplos a seguir. À semelhança do que já fizeram seus colegas de Londres e  outras metrópoles européias,  o prefeito  do Rio de Janeiro se empenha – certamente …

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Mario Pontes

RIO – A Casa Grande sempre se mostra irritada diante de qualquer iniciativa que resulte em algum benefício aos da Senzala. Como se verá nos dois exemplos a seguir.

À semelhança do que já fizeram seus colegas de Londres e  outras metrópoles européias,  o prefeito  do Rio de Janeiro se empenha – certamente  com aprovação da maioria – na renovação urbana   da melhor parcela  da área portuária.

São claras as vantagens que a obra trará, em particular para os desprivilegiados, uma vez que a recuperação daquele espaço, em decadência e uso nada  racional, será  completada  com a  criação  de   escolas e outros serviços públicos.  Além disso, permitirá que milhares de  pessoas venham morar perto do Centro,  perto de seus locais de trabalho.  O que será bom também para os empregadores.

Mas como a melhoria  do  sistema  viário local implicava a demolição de um longo, obsoleto,  enfeiante viaduto, os que perderam o auto-concedido direito de usá-lo em velocidade acima da permitida, logo voltaram as baterias contra o prefeito renovador.

Outro prefeito metropolitano – o de São Paulo – também tornou-se alvo de críticas da mídia e de ofensas vindas da rua, por ter ferido a sensibilidade dos donos de carrões;  por  retirar-lhes alguns  metros do eixo central de uma das mais largas avenidas da cidade a fim de usá-los como ciclovia;  e assim dar alívio  a milhares de cidadãos que  sofrem com a vagareza de ônibus caquéticos e trens superlotados.

Este observador não   se surpreende   com   o  fato de que as  críticas e agressões verbais alvejem o Prefeito e depois os ciclistas.  Nem se  surpreende com o apoio da mídia aos agressores.  Mas estranha o fato de que sóbrias publicações institucionais abram algum espaço para os que insultam.

Em uma delas deparo-me com a charge que tentarei descrever. À vontade em sua poltrona, um senhor – certamente abastado – vê televisão. De repente dois operários invadem o local. O primeiro passa um pesado rolo sobre  o estreito  tapete que  divide   a sala,     como se representasse o ato de asfaltar uma pista.  Munido de tinta e pincel, o segundo pinta o ex-tapete. Faz uma parada, volta-se   para  o dono da casa e anuncia de modo sumário:

– Ciclovia.

Diante dessa peça de humor, senti-me  levado  a pensar que o chargista nada mais fez do que expressar  a  reação,  ao ato do prefeito,   de  muitos dos que moram em belas mansões e  percorrem  a  cidade  em automóveis de luxo. Para eles, a decisão de admitir o uso  de bicicletas em vias perpetuamente engarrafadas  deve ser  recebida  como…  ofensa aos  donos dos carros. Ofensa que, de tão terrível e poderosa, chega ao  ponto  de atingi-los em sua privacidade!

 


Vivinho da silva


Ah, esses maravilhosos octogenários adolescentes!


Bem que Eco disse


Não é um exagero?

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