Em matéria publicada na segunda-feira (23), o blog Radar-DF ironizou a suposta indignação do ex-governador José Roberto Arruda (PSD) com a decisão do GDF de disponibilizar o Centro Administrativo do DF (Centrad), entre outros imóveis, como garantia para contratação de empréstimos junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para salvar o Banco de Brasília (BRB) – a proposta precisa ser aprovada pela Câmara Legislativa.
O editor Toni Duarte afirma que Arruda não menciona no vídeo “que o chamado elefante branco de Taguatinga possui sua marca registrada desde a concepção. Também não disse que ele era o ‘Parreira’, o técnico da propina”. Segundo o blogueiro, “a obra projetada por Arruda e inaugurada por Agnelo (Queiroz) nunca funcionou (…). O Centrad transformou-se em símbolo de desperdício, imbróglio jurídico e corrupção”.
(…) “A investigação mais contundente sobre o empreendimento iniciou na Operação Caixa de Pandora e passou pela Operação Panatenaico, desdobramento da Lava Jato no DF. No relatório final, a Polícia Federal apontou Arruda como mentor do modelo de Parceria Público-Privada (PPP) estruturado para beneficiar empreiteiras em troca de propina.
Duarte cita que “uma auditoria da Controladoria-Geral do DF de 2016 apontou diversas irregularidades no contrato de licitação que causam grande prejuízo ao bolso dos contribuintes brasilienses. Os problemas detectados vão desde a concepção da PPP até a entrega da obra. Executivos da Odebrecht, como João Pacífico e Ricardo Roth Ferraz, confirmaram em delações ao Ministério Público Federal que houve solicitação e pagamento de repasses ilícitos para viabilizar o contrato draconiano do Centrad”.
RÉU – “Em 2018, a Justiça Federal aceitou denúncia que tornou Arruda réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo o MPF, os valores circulavam por meio de contratos fictícios ou pagamentos em espécie para alimentar o esquema político. O caso ainda se conecta com a Caixa de Pandora, o chamado Mensalão do DEM, que revelou o fosso da corrupção”.
As investigações indicaram que grandes obras, entre elas o Centrad, funcionavam como engrenagens de arrecadação paralela. “O mais revelador é que o esquema foi descrito como “apartidário”, atravessando gestões e unindo adversários como Arruda e Agnelo Queiroz (PT) em torno da mesma obra e dos mesmos interesses financeiros”. A apuração consta em um inquérito de 350 páginas que tramita na Justiça.
“Diante desse histórico, soa no mínimo contraditório que o idealizador do Centrad agora se apresente como defensor de um patrimônio público que se deteriora ao tempo. É imprescindível que o debate sobre o Centrad seja realizado com base nos fatos, incluindo aqueles que alguns optam por ocultar a respeito das razões pelas quais não apresenta eficácia”, conclui Toni Duarte.