A última manchete do Brasília Capital me motivou a escrever este artigo. O título trouxe aspas do deputado distrital Eduardo Pedrosa (União), que dizia que “Celina é o caminho natural”. Ou seja, para ele, o grupo do governador deve apoiar a vice Celina Leão (PP) à medida que ela seja sinalizada como sucessora de Ibaneis Rocha (MDB).
Porém, a história recente do Distrito Federal mostra que, ao contrário do que diz Pedrosa, os vice-governadores nunca foram caminhos tão naturais assim. Para analisar este contexto, consideraremos apenas os governadores eleitos pelo voto, a partir de 1990, com a vitória de Joaquim Roriz e da vice Márcia Kubitschek, que mesmo após o mandato, tentou uma vaga de senadora e não conseguiu.
Com a vitória de Cristóvam Buarque, então no PT, a médica Arlete Sampaio, ainda hoje no mesmo partido, foi a vice até o final de 1998. A carreira política de Arlete foi até o fim de 2022, quando exerceu mandato de deputada distrital, na cadeira que hoje é ocupada pelo seu ex-assessor Gabriel Magno. Porém, demorou a ser alçada como candidata ao GDF, talvez pela má avaliação do governo petista à época.
Roriz então foi eleito e reeleito governador em 1998 e 2002 – governou de 1999 a 2006. Seus vices? Benedito Domingos e Maria de Lourdes Abadia. Benedito foi deputado distrital e federal por dois mandatos, mas nunca governador. Abadia, embora tenha assumido depois de um afastamento de Roriz, disputou (e perdeu) para José Roberto Arruda, em 2006. Ela foi candidata em 2022 pelo União Brasil e não se elegeu deputada distrital.
Por sua vez, Arruda teve como sucessor Paulo Octávio, que assumiu o governo e depois renunciou ao cargo por problemas com a Justiça. O empresário foi candidato ao GDF em 2022, atingiu menos de 8% dos votos. E também não conseguiu eleger seu filho como deputado federal.
Já em 2010, Agnelo Queiroz (PT) escolheu Tadeu Filippelli (MDB) para vice. Ele que tinha sido secretário de Obras de Roriz, rachou com o ex-governador para apoiar Arruda, caiu no colo do PT. Até hoje Filippelli tem influência no MDB-DF. Porém, sua última participação eleitoral foi em 2018, quando ficou como suplente na Câmara Federal.
Quando Rodrigo Rollemberg (PSB) escolheu um “desconhecido” para seu vice, a ideia era aumentar o conhecimento em Ceilândia, terra de Renato Santana. Eles brigaram logo no início do mandato de Rollemberg e quatro anos depois, ambos perderam. O governador foi derrotado pelo outsider Ibaneis em 2018, e Santana nunca mais foi eleito para cargos públicos. Pelo menos, me concedeu uma entrevista para este mesmo Brasília Capital quando ocupava o cargo (foto).

O penúltimo vice-governador foi o empresário Paco Britto. Ele ocupou a cadeira de 2019 a 2022, ano em que concorreu a uma vaga de deputado distrital e perdeu.
Dito tudo isso, será que Celina é mesmo um “caminho natural”?