Ana Luisa Araujo e Fabio Goes
Na semana em que Ceilândia completa 54 anos, o Brasília Capital visitou a cidade e conversou com três nomes influentes da cena do rap local: Heitor Valente, DJ Jean e Magis, da banda Coktel Molotov. Cada um com sua história, mas todos com um ponto em comum: o amor pela cidade e pela cultura hip-hop que ela representa.
Heitor Valente, músico, educador e produtor, destaca Ceilândia como um berço cultural de resistência. Ele, que também realiza um projeto social em escolas, acredita que a cidade tem um vínculo cultural muito forte, não apenas com o rap, mas com as influências do Nordeste e do Rio de Janeiro.

“Brasília é a cidade do rock, mas Ceilândia é a cidade do rap. Aqui, a gente tem uma identidade forte e um orgulho imenso de ser daqui. O rap aqui não é só música, é uma representação da nossa luta e da nossa realidade”, afirma Heitor. Para ele, a luta do movimento hip-hop é uma continuidade das batalhas que os pioneiros do rap, como DJ Jamaika e Câmbio Negro, começaram.
Ao falar sobre o impacto social do rap, Heitor reforça que o hip-hop tem um papel fundamental na periferia, não apenas como música, mas como ferramenta de conscientização e transformação. “O rap dá voz aos oprimidos, e é por meio dele que conseguimos mostrar a realidade da periferia para o mundo”.
Para o aniversário da cidade, Heitor sugere um presente cultural poderoso: “Eu daria um complexo cultural para Ceilândia, algo que abrigasse a pluralidade de expressões culturais que aqui existem, desde o rap até a cultura nordestina. Isso ajudaria a fortalecer ainda mais nossa identidade”.
Museu do hip-hop
DJ Jean também compartilhou sua visão. Ele conta sobre sua trajetória no hip-hop e como o movimento, originalmente um protesto, tem se transformado ao longo dos anos. “O rap é o maior movimento cultural do mundo hoje. E, no Distrito Federal, Ceilândia é o coração disso”, destaca. Para ele, apesar dos avanços, ainda há muito a ser feito no apoio à cultura hip-hop por parte do governo, especialmente no incentivo às novas gerações.

Magis, do Coktel Molotov, também reflete sobre a importância do rap para sua vida e para a juventude da cidade. Ele, que cresceu ouvindo os pioneiros locais, sente que Ceilândia sempre foi o lugar onde a música refletia as vivências e desafios da periferia.
Quando perguntado sobre o que daria de presente para a cidade, a resposta foi clara: “Eu criaria um museu do hip-hop em Ceilândia. Aqui tem muita história para ser contada, e o rap tem uma grande contribuição nisso. A Ceilândia é o berço de vários dinossauros do hip-hop, e isso precisa ser reconhecido”.
Em meio a todos os desafios que o movimento ainda enfrenta, a união e a luta pelo reconhecimento da cultura hip-hop seguem vivas. O apoio de figuras como o deputado distrital Max Maciel (PSol) tem sido essencial para trazer visibilidade e recursos para Ceilândia, mas, como Heitor destaca, ainda é preciso muito mais para que a cidade seja reconhecida por sua real importância cultural.