Caprichos mortais

bsbcapitalPor ,05/06/2016 às 9:27, Atualizado em 09/07/2016 às 3:37

         Mario Pontes Dias atrás François Holland e Angela Merkel – presidente francês e primeira-ministra alemã – fizeram uma visita a Verdun, pequena, antiga e histórica cidade do nordeste da França.  Objetivo da visita: homenagear as vítimas da mais longa e sangrenta batalha da I Guerra Mundial, travada de fevereiro a dezembro …

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         Mario Pontes

Dias atrás François Holland e Angela Merkel – presidente francês e primeira-ministra alemã – fizeram uma visita a Verdun, pequena, antiga e histórica cidade do nordeste da França.  Objetivo da visita: homenagear as vítimas da mais longa e sangrenta batalha da I Guerra Mundial, travada de fevereiro a dezembro de 1916.

A cidade não era estrategicamente importante. Mas, como no passado estivera em mãos germânicas, o comandante alemão do setor, príncipe Frederico, filho do Imperador Guilherme II, resolveu fazer dela seu trampolim para a glória. Cercou-a com centenas de milhares de homens, certo de que não demoraria muito a ocupá-la.

Os franceses resolveram dar o troco ao fogoso príncipe. Enfrentaram-no com número semelhante de combatentes, e ao cabo de onze meses obrigaram-no a ordenar a retirada. O preço que os dois lados haviam pago na disputa da cidadezinha de menos de trinta mil habitantes era de arrepiar um frade de pedra. Os mortos chegavam perto de meio milhão; e eram quase incontáveis os feridos e inválidos.

Mas Verdun não é referência exclusiva em matéria de carnificinas resultantes do mero capricho de líderes políticos ou chefes militares do século XX. Em 1942, cerca de um ano depois de ter invadido a União Soviética, Adolf  Hitler ordenou  que seu poderoso VI Exército – algo como um milhão de homens bem armados – avançasse isoladamente para leste e conquistasse a pequena cidade de Stalingrado, à margem do Volga, já perto da Ásia.

Era uma operação de alto risco, até as pedras sabiam.  Mas Hitler não parece ter pensado nas possibilidades negativas de sua jogada. Esperava que a conquista da cidade, com suas poucas indústrias, produzisse, antes de tudo, um efeito simbólico: o mundo se convenceria, afinal, de que ele era  mais forte, mais predestinado à vitória do que Stálin, o ditador soviético, com quem assinara, pouco antes do início da guerra,um fajutíssimo pacto de não agressão.

Esqueceu-se, porém, de que os povos reunidos, às vezes à força, no casarão soviético, embora não morressem de amores pelo seu implacável  ditador – muito pelo contrário –, não almejavam uma simples troca de tirano. Hitler não conquistou Stalingrado, centenas de milhares de alemães perderam a vida antes que pudessem cruzar o Volga, e o que sobrou do portentoso VI Exército foi aprisionado pelos russos e levado para remotos campos de concentração.

Certamente há outros Verduns e Stalingrados na história da humanidade e da Europa em particular.  Mas tão desagradável quanto  constatar  a frequência dessas tragédias é saber que,  pelo mundo afora, a vaidade,  o orgulho e a impiedade de um bom número de poderosos continuam a fermentar; e que eles estão prontos para repeti-las,  sempre que as cartas lhes forem favoráveis.

 


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