O Partido Liberal entrou oficialmente em estado de alerta após o vazamento dos áudios entre o senador Flávio Bolsonaro (RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Nos bastidores, dirigentes da legenda já admitem que o caso pode inviabilizar a candidatura presidencial do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro (preso por tentativa de golpe de Estado) antes mesmo do início oficial da campanha.
A avaliação interna do PL é de que as próximas semanas serão decisivas para medir a capacidade de reação política de Flávio. Segundo aliados, julho passou a ser tratado como prazo-limite para decidir se o senador conseguirá conter o desgaste provocado pela divulgação das mensagens e gravações relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória de seu pai.
O temor aumentou após relatórios de monitoramento digital apontarem uma explosão negativa nas redes sociais. Levantamento da Agência Idealis registrou 225 mil menções ao caso em apenas 24 horas, além de 1,6 bilhão de interações e 9,3 bilhões de impressões. De acordo com a análise, 61% das manifestações tiveram tom crítico a Flávio Bolsonaro.
Dentro do PL, a percepção é de que houve falhas graves na condução da crise. Integrantes da legenda afirmam reservadamente que o senador demorou para reagir, apresentou versões contraditórias e ampliou o desgaste ao admitir posteriormente encontros com Vorcaro, após inicialmente minimizar a relação com o ex-banqueiro.
A preocupação levou a uma reunião emergencial em Brasília com nomes centrais da sigla. Entre eles o presidente Valdemar Costa Neto, os senadores Rogério Marinho e Carlos Portinho e o deputado Sóstenes Cavalcante. A ordem interna, agora, é reorganizar a comunicação do pré-candidato e impedir que a crise contamine definitivamente o projeto presidencial.
A estratégia do partido prevê uma ofensiva política imediata, com viagens pelo país, agendas públicas e aproximação com empresários e lideranças conservadoras. Ainda assim, interlocutores admitem que, se os índices de rejeição continuarem crescendo até julho, a própria cúpula do PL poderá começar a discutir alternativas para 2026. Um dos nomes ventilados é o da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, atualmente pré-candidata ao Senado no DF.