Campanha já começou no mundo virtual

BSB Capital 17/06/2017 às 18:16, Atualizado em 18/09/2017 às 21:17

Candidatos ao GDF, Fraga, Alírio, Izalci, Filippelli e Rollemberg incrementam suas páginas nas redes sociais. Frejat e Valmir ainda estão offline

A campanha para governador de Brasília em 2018 já começou nas redes sociais. Pré-candidatos como Izalci Lucas (PSDB), Alberto Fraga (DEM), Alírio Neto (PTB) e Tadeu Filippelli (PMDB) têm usado intensamente a internet para se posicionar junto à opinião pública como postulantes ao Buriti.

Outros prováveis candidatos, como Valmir Campelo (PPS) e Jofran Frejat (PR) estão na contramão. Pesquisa realizada pelo Ibope e divulgada na segunda-feira (12) pelo Estadão mostra que 56% dos brasileiros aptos a votar serão, de alguma maneira, influenciados pelas mídias sociais. Para 36% dos entrevistados, as redes terão muita influência.

O Brasília Capital fez levantamento das ações na internet dos principais postulantes ao Palácio do Buriti em 2018. Confira:

Levantamento do Brasília Capital

– Izalci: O deputado possui bom número de curtidas em sua página no Facebook (cerca de 28 mil) e razoável número de seguidores no Twitter (quase 4 mil). Até há pouco, usava o espaço virtual para divulgar atividades parlamentares, que, embora importantes, não despertam interesse da maioria da população. Agora, passou a divulgar encontros, principalmente nas cidades-satélites – os últimos foram em Samambaia e Riacho Fundo I. Esta pode ser uma boa tática para se aproximar dos eleitores. Poderia, também, usar a tribuna da Câmara para discursos mais incisivos que ‘inflamassem’ sua base eleitoral, com vídeos (curtos) que poderiam ser editados para as redes sociais.

– Fraga: Na internet é o mais popular entre os citados. Com 40 mil curtidas no Facebook e 111 mil seguidores no Twitter, tem bom alcance nas redes sociais. Muitas vezes entrou em polêmicas e disparou palavras duras contra os adversários, o que o levou a ter boa repercussão na net. Utiliza, no perfil do Facebook, uma foto com a esposa, tentando se aproximar da “família brasileira”. No Face, não divulga somente seu trabalho parlamentar, mas também notícias negativas do Governo de Brasília e fatos violentos, para assim levantar sua principal bandeira – a segurança pública. Um trabalho bem feito, inclusive quando explicou o incidente da queda de seu implante dentário. Na ocasião, gravou vídeo com pouco mais de um minuto, uma produção curta e nada muito profissional. Tudo o que o usuário de Face gosta de ver.

Alírio: O presidente do PTB-DF entrou de sola na disputa de 2018 também na internet. Há pouco tempo, trabalha no Facebook tentando angariar curtidas (seguidores). Para isso, tem dois quadros semanais (vídeos) em sua página: o “Vapt-zap”, onde responde perguntas de internautas sobre o DF, e o “De Carona com Alírio”. Até então neste quadro, havia entrevistado muitos técnicos de assuntos específicos, como, por exemplo, a crise hídrica. Mais recentemente, passou a “conversar” com lideranças comunitárias, a exemplo de Galego, do Guará, seu reduto eleitoral. Para aumentar seus likes poderia divulgar mais serviços para a sociedade, além da velha foto do cachorrinho. Ou de bebês.

– Filippelli: Com quase 10 mil curtidas no Facebook, 3.600 seguidores no Instagram e irrisórios 250 no Twitter, o ex-vice governador começou muito bem o trabalho nas redes sociais e, provavelmente, gastando um bom dinheiro para impulsionar suas publicações nas três redes. Passado algum tempo, cometeu erros, como utilizar material de televisão no Facebook, e usar o Twitter como reprodutor das outras redes, com material e linguagem inadequados. Depois de ser preso no dia XXX pela Operação Panatenaico, nada mais foi publicado até o dia 6 de junho. Nessa data, postou link com matéria do site G1 no qual o TJDFT isenta Filippelli de improbidade administrativa. O post foi patrocinado (pagou-se para aparecer para mais pessoas) e obteve bons resultados – 76 compartilhamentos. Muitos comentários de eleitores orgulhosos diziam que a verdade tarda mas chega, referindo-se à provável injustiça de terem prendido Tadeu. Entretanto, o processo em que o peemedebista foi isento não tem relação com a investigação que o levou à prisão. Seria honesto por parte de Filippelli deixar isso claro para seus seguidores. Mas talvez o intuito tenha sido exatamente confundi-los.

– Frejat e Valmir: que os dois políticos são da ‘velha guarda’ é nítido. Mas que não tenham sequer uma página em nenhuma rede social é inadmissível para quem deseja se candidatar a um cargo público. Se os grupos de Frejat e Campelo acreditam que eles podem ser de fato alternativas para os eleitores no próximo ano, já está passando da hora de agirem virtualmente. Quanto mais próximo da eleição, mais difícil se torna o trabalho do social media de reforçar a imagem dos dois. Afinal, começará do zero, tendo que gastar mais dinheiro para impulsionar as publicações e assim chegar a um maior número de pessoas. Ou esta pode ser uma evidência de que os dois, de fato, não desejam se candidatar.

– Rollemberg: uma máxima da política ainda é válida nos dias de hoje, já que quem está com a máquina pública nas mãos continua tendo uma excelente carta na manga. Além disso, quem ocupa cargo público com grande relevância, como é o caso do governador, aumenta seu alcance nas redes sociais, já que a população se informa por meio de suas páginas oficiais.

No ambiente virtual, o socialista faz trabalho praticamente perfeito: no Facebook, onde mais de cem mil pessoas o seguem, divulga ações, reproduz as campanhas publicitárias feitas pelo Governo e links de pautas positivas na imprensa local e responde a maioria dos comentários nos posts esclarecendo dúvidas. Uma única sugestão, que já foi acatada pelo governador – quando citou artigo do Brasília Capital – é fazer vídeos com menos produção, o vídeo selfie, como faz João Dória, prefeito de São Paulo.

No Twitter oficial, que conta com mais de 33 mil seguidores, Rollemberg usa linguagem adequada, publica sua agenda e dá informações úteis para jornalistas e para a grande massa. Já no Instagram, 10 mil pessoas o seguem e ele faz um bom trabalho: divulga fotos, vídeos curtos e interessantes e presta serviçosàa população. Se se levar em conta apenas as redes sociais, o governador será reeleito em 2018.

– Reguffe: o senador, atualmente sem partido, é um caso de sucesso nas redes sociais. Seu eleitorado é fiel e comprova isso a cada publicação dele no Facebook, que tem mais de cem mil curtidas, e no Twitter – mais de 67 mil seguidores.

Embora não faça um trabalho tão bem feito quanto Rollemberg nas mídias sociais, os números de compartilhamentos, curtidas e comentários impressionam. O que não surpreende é o porquê disso acontecer. O discurso de Reguffe é de fácil compartilhamento. Afinal, quem não considera interessante economizar dinheiro público e isentar carga tributária de remédios?

O difícil é saber como ele irá continuar esse discurso “compartilhável” em caso de campanha eleitoral. Mais difícil ainda é adivinhar se ele será ou não candidato ao Buriti em 2018.

– Toninho: o candidato ao governo mais à esquerda não acumula bons resultados nos pleitos anteriores e parece não estar muito preocupado com isso. Toninho só possui um canal de contato na internet: o Facebook.

Seguido por sete mil pessoas, parece ser administrado pelo próprio candidato e não por profissionais.  Passa dias sem publicar nada, e quando decide fazê-lo, posta várias coisas num único dia. Detalhe: compartilha todas – ou quase todas – publicações de sua esposa, Maninha, provavelmente candidata a deputada federal.

– Joe Valle: embora negue reiteradamente que não será candidato a governador, o presidente da Câmara Legislativa não convence com esse discurso. Joe tem bom apelo popular e não tem histórico de corrupção, o que, embora seja obrigação, pode soar como diferencial. As redes sociais dele são bastante movimentadas, mas com pouca interação.

Para melhorar isso, poderia levantar debates, abrir para sugestões do seu trabalho parlamentar ou mesmo como presidente da Casa – mesmo que receba críticas – e responder os comentários. Os textos são muito extensos. Poderiam ser mais diretos e com imagens autoexplicativas.}

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