Tácido Rodrigues
O Brasil registrou o menor número de homicídios da série histórica iniciada em 1998. Foram 42.590 casos em 2024, com taxa de 20,1 mortes por 100 mil habitantes. Os dados constam no Atlas da Violência 2026 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado na terça-feira (26). Uma redução de 6,9% em comparação com 2023 no número absoluto.
O estudo, porém, faz um alerta: a melhora nos indicadores oficiais ocorreu ao mesmo tempo em que cresceram as chamadas Mortes Violentas por Causa Indeterminada (MVCI), o que pode mascarar parte da violência letal no país.
Apesar da queda nacional, o Atlas mostra que a violência segue concentrada em estados do Norte e Nordeste. Em 2024, os maiores índices de homicídios foram registrados no Amapá (45,7 mortes por 100 mil habitantes), seguido por Bahia (40,9), Pernambuco (37,3), Alagoas (35,9) e Ceará (34,3). Já em números absolutos, a Bahia liderou o ranking, com 6.061 homicídios no período, enquanto 18 unidades da Federação permanecem acima da média nacional de violência letal.
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PERFIL – Os mais afetados pelos homicídios no Brasil seguem sendo jovens negros do sexo masculino, especialmente moradores de periferias urbanas e áreas marcadas por vulnerabilidade social e presença de facções criminosas. A violência letal, apontam os dados, mantém forte relação com desigualdade social, baixa escolaridade e ausência de políticas públicas permanentes de prevenção, impulsionada pelos conflitos territoriais ligados ao crime organizado.
Ainda assim, a pesquisa revela que o Brasil consolida uma trajetória de queda da violência letal iniciada em 2018. De 2014 a 2024, a taxa nacional de homicídios caiu 33,4%. A queda é atribuída a fatores como mudanças demográficas, transformações nas dinâmicas do crime organizado e aprimoramento da gestão de segurança pública.
Entre as medidas do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que entram nesse pacote estão a proposta do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP); e os programas federais “Pena Justa”, que prevê ações para enfrentar a superlotação carcerária e reduzir a influência de facções nos presídios, e “Brasil contra o Crime Organizado”, que foca a asfixia financeira das organizações criminosas, o combate ao tráfico de armas e a integração de inteligência entre forças de segurança.
DF lidera queda nacional em 10 anos
O Distrito Federal aparece entre as unidades da Federação com os melhores indicadores de segurança do Brasil, registrando a terceira menor taxa de homicídios por 100 mil habitantes (10,3), atrás apenas de São Paulo (6,6) e Santa Catarina (8,1).
De 2014 a 2024, o DF liderou a redução de homicídios no País. A taxa caiu 66,2% no período, enquanto o número absoluto de homicídios despencou 63,5%. O Atlas destaca, ainda, que, além do DF, apenas Goiás e Santa Catarina conseguiram registrar reduções sucessivas nas taxas de homicídio de 2019 a 2024.
A melhora dos indicadores na capital federal ocorre em meio a uma política contínua de fortalecimento da segurança pública implementada nas gestões do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) e da atual governadora Celina Leão (PP).
Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que, de 2019 a 2025, o GDF investiu mais de R$ 1 bilhão na modernização das forças de segurança, com aquisição de viaturas, armamentos, coletes balísticos, drones, sistemas de reconhecimento facial e ampliação do videomonitoramento inteligente.
Também houve reestruturação das carreiras policiais, redução do interstício para promoções e autorização de concursos públicos para recomposição de efetivos das Polícia Militar e Civil e do Corpo de Bombeiros. Segundo o GDF, o Centro Integrado de Operações de Brasília (Ciob) passou a integrar em tempo real informações das corporações e de mais de 1,2 mil câmeras espalhadas pelo DF, fortalecendo ações de inteligência e resposta rápida.