Em missão oficial à Índia, onde acompanha a comitiva liderada pelo presidente Lula, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou estratégias para ampliar a cooperação internacional voltada à tecnologia no sistema de saúde. Em Nova Delhi, o brasileiro reuniu-se com autoridades indianas, incluindo Jagat Prakash Nadda e Prataprao Jadhav, para tratar da produção de vacinas, medicamentos e inovação regulatória.
Durante participação na Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial, Padilha afirmou que o Brasil pretende liderar o desenvolvimento de soluções de IA centradas nas pessoas, com foco na redução do tempo de espera por atendimentos, ampliação do acesso a diagnósticos e fortalecimento da soberania digital do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo o ministro, o SUS oferece escala e diversidade de dados capazes de impulsionar soluções inovadoras. Apenas em 2025, o sistema realizou cerca de 1,4 bilhão de exames, 1,6 bilhão de consultas e mais de 14,7 milhões de cirurgias.
Medicamentos
O ministro também visitou o parque fabril da Biocon, em Bengaluru, onde conheceu processos de produção de medicamentos biológicos de alta complexidade, como o pertuzumabe (utilizado no tratamento do câncer de mama HER2-positivo) e fármacos à base de semaglutida, indicados para diabetes tipo 2 e obesidade.
A visita integra a estratégia do governo brasileiro para reduzir a dependência de importações de medicamentos estratégicos.
Hospitais inteligentes
Padilha também conheceu unidades da rede Narayana Health, referência internacional em hospitais inteligentes. A instituição utiliza prontuário eletrônico integrado, monitoramento em tempo real e gestão baseada em dados.
O Ministério da Saúde, em parceria com a Universidade de São Paulo, estados e municípios, trabalha na estruturação da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes, voltada à modernização da gestão hospitalar no Brasil.
Viagem à Ásia
A delegação liderada pelo presidente Lula, integrada por ministros, políticos e empresários, realiza uma ofensiva diplomática na Ásia com o objetivo de ampliar mercados para produtos brasileiros, atrair investimentos e firmar parcerias tecnológicas. A viagem inclui agendas na Índia e na Coreia do Sul e busca reduzir a dependência comercial do Brasil em relação à China, além de abrir novas frentes para o agronegócio e setores de alto valor agregado.
Na Índia, o governo brasileiro trata o país como parceiro estratégico de longo prazo e prioriza negociações agrícolas, como abertura para o feijão guandu e redução de tarifas sobre frango, além de cooperação em inteligência artificial, energia e indústria. Já na Coreia do Sul, onde Lula estará de domingo (22) a terça-feira (24), o foco será comércio e inovação, com tentativa de avançar na exportação de carne bovina e aprofundar diálogos sobre semicondutores e tecnologias avançadas, considerados essenciais para a modernização produtiva brasileira.