Bolsonaro mente na ONU

bsbcapitalPor ,21/09/2021 às 13:50, Atualizado em 21/09/2021 às 19:05

Fato ou Fake e Brasília Capital mostram incoerências do pronunciamento do presidente brasileiro

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O site Fato ou Fake , do G1, fez uma xecagem das declarações de Jair Bolsonaro no discurso de abertura da 76ª reunião da cúpula de chefes de Estado da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque (EUA), nesta terça-feira (21), e concluiu que ele mentiu em diversos momentos. O Brasília Capital acompanhou, em tempo real, o pronunciamento do presidente brasileiro e contestou, passo a passo, no Twitter, as incoerências da fala. Confira: 

“Na economia, temos um dos melhores desempenhos entre os emergentes”

#FAKE. Em 2020, segundo o relatório “World Economic Outlook”, publicado em julho pelo FMI, o Brasil viu sua economia encolher 4,1% – pior do que a média mundial, de 3,2%, e do que a média das economias emergentes, de 2,2%. A economia brasileira foi menos impactada do que a da África do Sul (-7%), da Índia (-8%) e do México (-8,2%). Mas Rússia (-3,1%), Nigéria (-1,8%) e China (crescimento de 2,3%) tiveram desempenhos muito melhores no ano passado.

O desempenho durante este ano também decepciona, com uma queda de 0,1% no PIB no segundo trimestre. Isto colocou o país na 38ª posição em um ranking produzido pela Austin Rating com as 48 maiores economias do mundo – atrás de todas as economias emergentes.

A situação prevista pelo FMI é a de que o Brasil fique ainda mais atrás a partir deste ano. Isto porque a projeção da entidade para o crescimento da economia brasileira em 2021 é de 5,3% – à frente de Nigéria (2,5%), África do Sul (4%) e Rússia (4,4%), mas atrás de México (6,3%), China (8,1%) e Índia (9,5%).Para 2022, o FMI projeta que o Brasil tenha o menor crescimento entre todos os emergentes, de apenas 1,9%.

“No último 7 de Setembro, data de nossa Independência, milhões de brasileiros, de forma pacífica e patriótica, foram às ruas, na maior manifestação de nossa história”

#FAKE. Os atos de 7 de Setembro não foram os maiores já registrados no País. Apesar de não haver um balanço nacional, as imagens registradas no dia revelam uma manifestação muito menor do que as registradas contra a presidente Dilma Rousseff, por exemplo.

Basta pegar a cidade mais populosa (São Paulo) para ver que a frase não se sustenta. No 7 de Setembro, Bolsonaro reuniu na Avenida Paulista 125 mil pessoas, segundo estimativa da PM. Em 1984, no famoso comício do movimento Diretas Já, 1,5 milhão de pessoas se reuniram no Vale do Anhangabaú para pedir eleições para presidente no Brasil.

Levando em conta os dados públicos disponíveis, o maior ato político já registrado no Brasil ocorreu em março de 2016, quando manifestantes foram às ruas em mais de 300 cidades para pedir o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Houve, segundo a polícia, 3,6 milhões de pessoas no protesto. Para os organizadores, foram 6,8 milhões.

Também não é possível afirmar que “milhões” participaram dos protestos no 7 de Setembro. Levantamento feito pelo G1 mostra que apenas sete estados têm estimativas de público. E o total não ultrapassa os 400 mil manifestantes.

“[A agricultura] utiliza apenas 8% do território nacional”

#FATO. O mais recente relatório do Monitoramento da Cobertura da Terra divulgado pelo IBGE aponta que a área agrícola do Brasil ocupa 664.784 km², o equivalente a 7,6% do território nacional, considerando as parcelas terrestre e marítima do país. O número é de 2018 e foi divulgado em 2020.

“Nosso Banco de Desenvolvimento era usado para financiar obras em países comunistas sem garantias. Quem honra esses compromissos é o próprio povo brasileiro”

#FAKE. Desde 1998, o BNDES financiou empreendimentos brasileiros em pelo menos 15 países da África e da América Latina, incluindo Venezuela, Cuba, Argentina, Angola e Moçambique. Nenhum destes empréstimos, no entanto, foi feito sem garantias.

Segundo as informações do BNDES, foram desembolsados US$ 10,49 bilhões pelo banco nesta linha de financiamento, e os países pagaram US$ 12,445 bilhões até junho. Ou seja, o BNDES tem um saldo de US$ 1,29 bi nas operações com esses países.

Três dos países que tiveram empreendimentos financiados pelo banco ficaram devendo parcelas que foram cobertas pelo Fundo Garantidor de Exportações (FGE): Cuba, Moçambique e Venezuela.

O FGE, criado em 1997, é gerido pelo BNDES, mas parte de sua receita é proveniente do Seguro de Crédito à Exportação (SCE) – além de aplicações financeiras dos ativos do próprio fundo. Esse seguro é concedido pelo governo brasileiro para as exportações nacionais e cobre os riscos comerciais, políticos e extraordinários de exportadores e financiadores de exportadores.

Como em um seguro convencional, os exportadores segurados pagam um prêmio e, no caso de não pagamento do importador de outro país (o popular “calote”), os segurados recebem indenização do governo brasileiro, ou seja, os desembolsos do FGE.

Os principais países destino de exportações seguradas pelo SCE são latino-americanos, africanos e, no caso dos EUA, importadores privados de aeronaves da Embraer.

“Até o momento, o governo federal distribuiu mais de 260 milhões de doses de vacinas e mais de 140 milhões de brasileiros já receberam, pelo menos, a primeira dose, o que representa quase 90% da população adulta”

#FATO. De fato, 263 milhões de doses já foram recebidas pelos estados e 142 milhões de pessoas foram imunizadas com pelo menos uma dose das vacinas disponíveis, segundo o consórcio de veículos de imprensa.

Isso representa 87,7% da população com mais de 18 anos. Mais da metade da população adulta está totalmente imunizada. Considerando todos os brasileiros, 66,6% receberam ao menos uma dose, e 38% foram totalmente imunizados.

O Brasília Capital destacou, em tempo real, via Twitter, os seguintes trechos do discurso de Bolsonaro não condizentes com fatos verdadeiros ou, no mínimo, polêmicos:


Veja as principais frases do discurso:

“Estamos há 2 anos e 8 meses sem qualquer caso concreto de corrupção.”

“Temos tudo o que investidor procura: um grande mercado consumidor, excelentes ativos, tradição de respeito a contratos e confiança no nosso governo.”

“Na Amazônia, tivemos uma redução de 32% do desmatamento no mês de agosto, quando comparado a agosto do ano anterior.”

“Temos a família tradicional como fundamento da civilização. E a liberdade do ser humano só se completa com a liberdade de culto e expressão.”

“Sempre defendi combater o vírus e o desemprego de forma simultânea e com a mesma responsabilidade. As medidas de isolamento e lockdown deixaram um legado de inflação, em especial, nos gêneros alimentícios no mundo todo.”

“Apoiamos a vacinação, contudo o nosso governo tem se posicionado contrário ao passaporte sanitário ou a qualquer obrigação relacionada à vacina.”

“Desde o início da pandemia, apoiamos a autonomia do médico na busca do tratamento precoce, seguindo recomendação do nosso Conselho Federal de Medicina. Eu mesmo fui um desses que fez tratamento inicial. Respeitamos a relação médico-paciente na decisão da medicação a ser utilizada e no seu uso off-label. Não entendemos porque muitos países, juntamente com grande parte da mídia, se colocaram contra o tratamento inicial. A história e a ciência saberão responsabilizar a todos.”

“No último 7 de setembro, data de nossa Independência, milhões de brasileiros, de forma pacífica e patriótica, foram às ruas, na maior manifestação de nossa história, mostrar que não abrem mão da democracia, das liberdades individuais e de apoio ao nosso governo.”

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