Bolsonaristas fazem campanha contra lockdown no DF

orlandopontesPor ,28/02/2021 às 18:58, Atualizado em 28/02/2021 às 19:16

​Deputadas Bia Kicis, Paula Belmonte e Júlia Lucy pegam embalo no apelo de parte do setor produtivo. Izalci vai no vácuo

Deputadas Bia Kicis, Paula Belmonte e Júlia Lucy pegam embalo no apelo de parte do setor produtivo. Foto: Divulgação

A presença das deputadas federais Bia Kicis (PSL) e Paula Belmonte (Cidadania)e da distrital Júlia Lucy (Novo) na manifestação de centenas de autointitulados “empresários”, em frente à casa do governador Ibaneis Rocha (MDB), na manhã deste domingo (28), no Setor de Chácaras do Lago Sul, definiu quais as lideranças políticas de Brasília estão dispostas a marchar ao lado do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), em sua cruzada negacionista à gravidade da pandemia.

Apesar das orientações sanitárias contra a disseminação do novo coronavírus, os manifestantes estavam aglomerados e muitos não usavam corretamente a máscara de proteção. Até o início da tarde deste domingo, o Distrito Federal registrava 4.819 mortes por covid-19.

Senador Izalci Lucas gravou um vídeo criticando a decisão do Executivo local. Foto: Divulgação

Sob o argumento de que o fechamento de alguns setores da economia é mais danoso para a saúde da população do que a circulação do novo coronavírus, o grupo exige a revogação das medidas restritivas baixadas pelo GDF. E ainda ganhou o apoio do senador Izalci Lucas (PSDB). Do conforto de sua mansão, também no bairro mais nobre de Brasília, o tucano gravou vídeo criticando o Executivo local e cobrando melhor aplicação dos recursos da União repassados para Brasília. 

Nenhum deles (as três deputadas, o senador e os manifestantes) levou em consideração os dados oficiais que mostram a situação da rede hospitalar do DF, que levaram Ibaneis a restringir a circulação de pessoas em decretos publicados na sexta-feira (26) e no sábado (27) – este último, abrandando a decisão de véspera. 

Às 17h54 deste domingo (28), o sistema de controle da Secretaria de Saúde mostrava que dos 206 leitos públicos de UTI no DF, 190 estavam ocupados (uma taxa de 96,45%. Outros 9 estavam bloqueados e apenas 7 vagos. Havia 83 pacientes aguardando uma UTI, sendo 24 casos suspeitos ou confirmados de covid-19.

Nos hospitais privados, a situação não é diferente. Dos 216 leitos, 185 estão ocupados, 5 estão bloqueados e apenas 26disponíveis. A taxa de ocupação de UTIs adulto é de 87,56% e de pediátrico, de 100%.  

Para o secretário de Saúde, Osnei Okumoto, também era muito preocupante a taxa de transmissibilidade, que atingiu 1,08%. “Quando esse índice ultrapassa 1, é complicado”, afirmou. E alertou: “Nesta situação, é fundamental reduzir as aglomerações e manter os cuidados básicos, como higienização das mãos e, principalmente, o uso de máscaras”.

Hospitais de campanha – Um dos principais questionamentos do grupo, que marcou outra manifestação para a segunda-feira (1º), na Praça do Buriti, é quanto ao fechamento dos hospitais de campanha do estádio Mané Garrincha e de Ceilândia para destinação de recursos para a rede pública local. No sábado (27), após reunião com osecretariado, Ibaneis garantiu que abrirá mais 150 UTI para pacientes da covid-19, sendo 100 delas até sexta-feira (5) e outras na próxima semana

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