José Matos (*)
O médium Chico Xavier ficou órfão de sua mãe, Maria João de Deus, aos quatro anos de idade. Seu pai, muito pobre, vendedor de bilhetes da Loteria Federal, distribuiu os nove filhos entre os parentes. Chico foi para a casa da madrinha, que era louca, e batia nele diariamente. Quando ela piorava da cabeça, o menino apanhava duas vezes e o deixava e ainda ficava sem comer.
A mulher era tão louca e má que chegava a espetar garfos na barriga do garoto. Certa vez, consultando uma amiga sobre um machucado que seu filho tinha na perna, a outra louca a aconselhou a colocar um cachorro para lamber a ferida por três sextas-feiras seguidas. A madrinha de Chico respondeu: “Não tenho cachorro. Tenho o Chico. Serve?”. “Serve”, admitiu a amiga.
Chico ouviu a conversa e ficou apavorado. Foi chorar no quintal e, vidente, como sempre foi, viu a mãe desencarnada em espírito e queixou-se: “Mãe, por que você me deixou? Ela vai me fazer lamber a ferida do filho dela”. “Obedeça a ela que vou lhe ajudar”, confortou a mãe.
Na hora de lamber a ferida, relatava Chico, Maria João de Deus apareceu e derramou sobre o local um pó colorido que curou a ferida em poucos dias e só foi preciso fazer aquilo uma vez.
Outra feita, depois de apanhar e ficar privado de alimentar-se, Chico foi chorar no quintal. Dona Maria, apareceu-lhe e disse: “Faça uma oração”. Ele recitou o Pai Nosso, e quando terminou apareceu um cachorro trazendo na boca um jatobá e o soltou nos pés de Chico. Então, Dona Maria ensinou: “Misture com água e beba. É um bom alimento. Quando a gente tem fé em Deus pode ser ajudado até por um cachorro”.
O tempo passou e o pai de Chico resolveu casar-se. Mas Dona Cidália, a segunda mãe que Chico ganharia, exigiu que somente se casaria se o marido levasse todos os nove filhos pra ela cuidar. E assim foi: recebeu os nove filhos de Maria João de Deus e ainda teve mais cinco.
Dona Cidália foi uma mãe de ouro para Chico, criando-o com carinho e dando-lhe a base moral que ele precisava para desempenhar seu papel de grande médium e coautor de 412 livros. Certa vez, falando sobre a criação que teve, Chico desabafou: “Se eu voltar à Terra, jamais aceitaria passar pelo que passei, mas também não aceitaria nascer num lar que meus pais não me dessem limites e noção de responsabilidade”.
(*) Professor e palestrante