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colaboradores, Política

As eleições no Peru, na Colômbia e no Brasil

Os três países serão palco, nos próximos meses, de embates entre forças progressistas e reacionárias na América Latina

  • Júlio Miragaya
  • 15/05/2026
  • 08:00

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Foto: Reprodução/Instagram/Keiko Fujimori

Júlio Miragaya (*)

A menos de 5 meses de 158 milhões de brasileiros decidirem os rumos do País numa das eleições mais importantes de nossa história, eleitores de dois de nossos vizinhos – 27,3 milhões de peruanos e 41,5 milhões de colombianos – também terão a oportunidade de ditar o futuro próximo de seus países. 

A América Latina tem sido local de frequentes embates entre forças progressivas e reacionárias nas últimas décadas. Após um período turbulento, os ventos voltaram a soprar favoravelmente às forças progressistas da região em 2021, quando Gabriel Boric, da Frente Ampla, derrotou o pinochetista José Kast e retomou o governo para a esquerda chilena. 

Em 2022, no Brasil, Lula retomou o governo para o PT derrotando a extrema-direita, e na Colômbia Gustavo Preto foi o primeiro presidente de esquerda eleito no país. Mas a ascensão progressista foi quebrada em 2023, quando Javier Milei, o candidato da extrema-direita argentina, derrotou o representante peronista. 

No ano seguinte, voltaram a ocorrer importantes vitórias das forças progressistas. Cláudia Sheibaum manteve a hegemonia do MORENA no México – estabelecida em 2018 com a vitória de Andrés Obrador – obtendo uma vitória esmagadora no 1º turno com 61% dos votos contra 28% da candidata da aliança dos dois partidos tradicionais da burguesia (PAN e PRI). E no Uruguai, Yamandú Orsi retomou o governo para a Frente Ampla, que governara o país de 2005 a 2020.

Ocorre que a partir de 2025 a direita da América Latina tem sido bem-sucedida: na Bolívia, Rodrigo Paz encerrou 15 anos de governo do Movimento para o Socialismo (MAS), e no Chile, José Kast derrotou a candidata da Frente Ampla. A ofensiva direitista ocorreu também na América Central, com eleições fraudulentas em Honduras e em El Salvador. 

Já em 2026 ocorreu o bizarro sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA e a tutela norte-americana sobre a presidente-interina Delcy Rodríguez, e em Cuba o governo de Miguel Días-Canel tem sido violentamente acossado por Trump. É nesse contexto que ocorrerão as eleições no Peru, na Colômbia e no Brasil.

No Peru, como sintoma da extrema crise política, o 1º turno realizado em 12 de abril teve nada menos que 35 candidatos à presidência. Passados 30 dias, a apuração ainda não foi concluída, com 99,75% dos votos apurados, faltando apurar pouco mais de 40 mil. É certo que o 2º turno terá a direitista Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que, dada a extrema fragmentação, obteve apenas 17,2% dos votos válidos. 

Seu oponente deverá ser o candidato social-democrata Roberto Suarez, com 12,01% dos votos apurados, ínfima vantagem de 14,9 mil votos sobre os 11,92% do candidato da extrema-direita Rafael Aliaga, membro da Opus Dei. No 2º turno Keiko Fujimori é favorita, pois terá o apoio de Aliaga, além de outros candidatos de direita bem votados (Jorge Nieto, Carlos Alvarez e Afonso Espa), que somaram 51% dos votos na 1ª rodada. 

Já os votos em Sanchez e em outros três candidatos de centro e centro-esquerda (Pablo Chau, Ricardo Belmont e Maria Tello) somaram 33%. Os demais 16% dos votos ficaram pulverizados em 27 candidatos “nanicos”.

Mas o que pode provocar uma reviravolta no 2º turno (7 de junho) é a ampla rejeição à Keiko. Nas três últimas eleições, ela foi para o 2º turno em todas, perdendo para Ollanta Humala (2011), Pedro Kucynski (2016) e Pedro Castillo (2021), sempre por estreita margem, obtendo entre 48,5% e 49,9% dos votos.

Na Colômbia as eleições ocorrerão em 31 de maio e o governo de Gustavo Petro está sendo frequentemente ameaçado pelo imperialismo norte-americano e acossado pelas forças de direita do país. Mais de 26 atentados ocorreram nos últimos dias, sendo o mais grave na região de Cauca, com 20 mortos e 40 feridos. Tais atentados visam desestabilizar o país e atingir a candidatura de Ivan Cepeda, do Pacto Histórico, apoiada por Petro. 

Nas diversas pesquisas eleitorais, Cepeda aparece com 38 a 45% das intenções de voto, mais que a soma do candidato da extrema-direita Abelardo de la Espriella (20 a 25%) e da senadora de direita Paloma Valencia (15 a 20%). A vitória de Cepeda no 1º turno é factível e evitaria um 2º turno em 21 de junho, bastante difícil com a provável união de Espriella e Valencia.

Por fim, no Brasil, mais uma vez a disputa tende a ser acirrada entre Lula e o candidato da extrema-direita, do clã Bolsonaro. Mas, se as investigações sobre as corruptas relações de políticos da direita com Daniel Vorcaro (dono do Banco Master) não forem abafadas, haverá uma grande vantagem para Lula. 

As vitórias de Lula e Cepeda, juntamente com o governo de Cláudia Sheibaum no México, manterão três dos quatro principais países da América Latina longe do controle do imperialismo norte-americano. Mais do que isso, servirão como motivação para as forças progressistas retomarem o poder na Argentina em 2027 e em outros países hoje sob governos de direita. 

(*) Doutor em Desenvolvimento Econômico Sustentável, ex-presidente da Codeplan e do Conselho Federal de Economia

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Júlio Miragaya

Doutor em Desenvolvimento Econômico Sustentável, ex-presidente da Codeplan e do Conselho Federal de Economia

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