José Matos (*)
Diariamente, milhões de pessoas despedem-se desta vida em grande sofrimento porque viveram sem questionar e descobrir o sentido de suas vidas. Na hora final, arrependidas, lamentam-se por não terem mais tempo para viver a verdadeira vida que gostariam de ter vivido.
Os aborígenes, povo antigo da Austrália, há muito perceberam que a vida tem sentido e ensinam para seus descendentes: “Somos visitantes, deste tempo, deste lugar. Estamos só de passagem. Nosso objetivo é observar, crescer, amar, realizar, realizar-se e depois vamos de volta para casa”.
Segundo Jesus, o objetivo da vida é a “implantação do Reino de Deus dentro de nós”, que resume-se em amar o próximo como a si mesmo. Para o psicanalista Carl Jung, “o objetivo é acender uma luz na escuridão do ser”. Isto resume-se em: caridade consigo e com o próximo. Os arrependidos não usaram de caridade nem consigo e nem com o próximo. Daí o arrependimento tardio.
A médica americana Shoshana Ungerleider, depois de certo tempo acompanhando pacientes terminais, listou as cinco principais causas de arrependimentos: 1 – Não passar tempo suficiente com as pessoas que amamos; 2 – Trabalhar em excesso; 3 – Deixar o medo guiar as decisões, evitando riscos necessários; 4 – Falta de coragem diante de incertezas e oportunidades; e 5 – Focar demais no futuro, perdendo a conexão com o presente.
A enfermeira australiana Bronnie Ware, especialista em cuidados paliativos, também enumerou cinco causas de arrependimentos: 1 – Gostaria de ter vivido uma vida fiel a mim mesmo, e não a vida que os outros esperavam de mim; 2 – Gostaria de não ter trabalhado tanto; 3 – Gostaria de ter tido coragem de expressar meus sentimentos; 4 – Gostaria de ter mantido contato com meus amigos; e 5 – Gostaria de ter me permitido ser mais feliz.
É claro que cada uma resumiu o que presenciou, mas poderíamos acrescentar: 1 – A morte prematura por motivos de vícios. Entre eles: cigarros, drogas, álcool; 2 – A vida vazia buscada, apenas, por coisas materiais; 3 – A profissão sem vocação, exercida somente por dinheiro ou status; 4 – A falta de acompanhamento dos filhos, principalmente na infância; e 5 – A falta de solidariedade e ética nos negócios.
(*) Professor e palestrante