Anvisa: suspensão dos testes da CoronaVac foi ‘técnica’

orlandopontesPor ,10/11/2020 às 15:44, Atualizado em 10/11/2020 às 15:44

Agência cobra transparência da empresa chinesa Sinovac Biotech

Em coletiva à imprensa nesta terça-feira (10), a Agência Nacional de Vigiância Sanitária (Anvisa) afirmou que a decisão de interromper os testes clínicos da vacina CoronoVac, contra a covid-19, foi tomada, por considerar que as informações disponibilizadas fornecidas à agência foram “insuficientes e incompletas”. E confirmou que, de acordo com boletim de ocorrência, o voluntário morreu por suicídio.

Segundo o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barras Torres, “as informações veiculadas ontem (9) foram consideradas, pela área técnica, insuficientes, incompletas, para que fosse possível, de posse delas, continuar permitindo o desenvolvimento vacinal”. Na segunda-feira à noite, a Anvisa informou que, em função de um “evento adverso grave”, os testes da vacina produzida pela Sinovac Biotec, em parceria com o Instituto Butantan, seriam interrompidos no Brasil. 

Na mesma entrevista, a diretora da Anvisa, Alessandra Soares, garantiu que a decisão de suspender os testes foi tomada por um comitê de especialistas de servidores da agência. O grupo é formado por médicos, farmacêuticos, entre outros profissionais. “Não houve nenhum relatório detalhado sobre o efeito adverso grave ocorrido com a vacina Sinovac. Houve uma notificação, um formulário padrão, que é veiculado nas outras autoridades do mundo. Isso é padrão”, explicou”.

Barra ressaltou que a Anvisa “não é parceira de nenhum desenvolvedor, de nenhum laboratório, de nenhum instituto”. O diretor-presidente afirmou que a agência foi notificada do evento na segunda-feira e, após analisar as informações repassadas, a Gerência-Geral de Medicamentos decidiu interromper temporariamente os testes, “por questões técnicas, que não depende de aval nem da Dra. Alessandra e nem meu”. 

O diretor-presidente disse que “não havia essa informação” (de que o voluntário havia cometido suicídio) entre as que a agência recebeu ontem. E rebateu a informação do Instituto Butantan de que teria ficado sabendo da suspensão dos estudos pela imprensa. Segundo ele, a Anvisa oficiou o órgão de pesquisa antes de comunicar à imprensa.

O diretor do Butantan, Dimas Covas, disse, mais cedo, que a decisão de interromper o testes clínicos da CoronoVac causou indignação. De acordo com ele, o Butantan comunicou a Anvisa sobre efeito adverso — o voluntário teria morrido, segundo informações não oficiais — no dia 6 de outubro. No entanto, isto teria ocorrido no fim de outubro, uma semana antes. Segundo autoridades de saúde, a data da ocorrência do “efeito adverso” foi quase um mês após a vacinação.

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