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Saúde

Anvisa amplia fiscalização sobre canetas emagrecedoras

Agência mira importação, manipulação e uso indevido de medicamentos injetáveis

  • Tácido Rodrigues
  • 12/04/2026
  • 14:00

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Foto: FreePik

Tácido Rodrigues

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) endureceu o controle sobre as chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos injetáveis usados originalmente para diabetes, mas cada vez mais populares para perda de peso. O pacote de medidas, anunciado na segunda-feira (6), amplia a fiscalização em toda a cadeia: da importação dos insumos à venda e ao uso final pelos pacientes.

A mudança foi motivada pelo crescimento considerado irregular desse mercado. Dados da agência mostram que, apenas no segundo semestre de 2025, foram importados mais de 100 quilos de insumos farmacêuticos, quantidade suficiente para produzir 25 milhões de doses, número considerado pelas autoridades de saúde incompatível com a demanda real no País.

Diante desse cenário, a Anvisa passou a intensificar inspeções em farmácias de manipulação, clínicas e empresas importadoras. Em 2026, 11 estabelecimentos foram fiscalizados e oito acabaram interditados por falhas graves, como ausência de controle de qualidade e problemas de esterilização.

Além disso, o órgão já proibiu a importação, comercialização e uso de produtos considerados irregulares e promete ampliar ainda mais o monitoramento, inclusive com apoio de vigilâncias sanitárias estaduais e cooperação internacional.

Segundo o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, o foco não é proibir o uso dos medicamentos, mas garantir segurança à população. “Essa situação do avanço do consumo de medicamentos derivados de GLP-1 e o avanço da manipulação desses produtos é um desafio não só para o Brasil”, disse, em coletiva de imprensa, em Brasília. 

RISCOS À SAÚDE – Entre os principais problemas identificados pela Anvisa estão a produção sem demanda real, a utilização de substâncias sem origem comprovada e a venda para fins estéticos sem indicação médica — o chamado uso “off label”, que pode aumentar riscos à saúde, como efeitos adversos e complicações mais graves. 

Em fevereiro, a autarquia vinculada ao Ministério da Saúde já havia emitido um alerta para risco de pancreatite aguda associada ao uso indevido de canetas emagrecedoras, conforme veiculado pelo Brasília Capital.

O plano da agência reguladora inclui, ainda, a revisão das regras para farmácias de manipulação, maior rigor na importação de insumos e campanhas de orientação para a população sobre os riscos do uso indiscriminado.

Apesar da maior rigidez regulatória, a Anvisa enfatiza que a manipulação e a aplicação desses medicamentos continuam permitidos, desde que sigam critérios rigorosos de qualidade, prescrição médica e segurança sanitária.

Com a popularização das canetas emagrecedoras e o aumento da demanda, o desafio agora, segundo a agência, é equilibrar acesso e segurança, preservando a saúde dos brasileiros.

Quebra de patente

A queda da patente do Ozempic, medicamento à base de semaglutida, abriu caminho para a entrada de versões genéricas e similares no mercado brasileiro. Apesar disso, o país ainda não conta com alternativas nacionais disponíveis nas farmácias.

Grandes farmacêuticas, contudo, já se movimentam para ocupar esse espaço. Entre elas estão empresas como a Prati-Donaduzzi, uma das principais fabricantes de genéricos no Brasil. 

A expectativa é que os primeiros produtos com a mesma substância comecem a chegar ao mercado a partir de junho, inicialmente como similares ou novas marcas, enquanto os genéricos ainda dependem de aprovação regulatória da Anvisa.

Mesmo com a quebra da patente, a entrada desses medicamentos não é imediata. É necessário cumprir etapas como registro sanitário, comprovação de eficácia e segurança, além da adaptação da produção em escala. Por isso, a ampliação da oferta deve ocorrer de forma gradual até o fim de 2026.

Em relação aos preços, a tendência é de queda, mas sem mudanças bruscas no curto prazo. Pela legislação brasileira, medicamentos genéricos devem ser pelo menos 35% mais baratos que os de referência, podendo chegar a reduções de até 60% com o aumento da concorrência. Atualmente, o Ozempic pode custar cerca de R$ 1 mil por unidade.

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