Cecília Garcia (*)
Dizem que o amor é brega. Cazuza já disse: “Baby, love is pop, e pop é brega”. No sentido contrário, os Filhos de Jorge afirmam que “brega é quem não sabe amar”. Seja um ou o outro, o fato é que, enquanto o restante do mundo se reveste de corações vermelhos, o Brasil se ornamenta de uma estética única, que não se limita a definições.
Em 2026, comemora-se pela primeira vez o Dia Nacional do Brega. A data foi oficialmente criada com a publicação da Lei nº 15.136/2025, em homenagem ao cantor Reginaldo Rossi. Nascido em 14 de fevereiro de 1943 e falecido em falecido 20 de dezembro de 2013, o artista carregava consigo o título de Rei do Brega.
Além da alcunha, de que tinha muito orgulho, o recifense ainda se definia como Mozart do Nordeste. O único rótulo que não aceitava era o de “produto de segunda classe”. Reginaldo era um sujeito culto. Cursou, mas não concluiu, a faculdade de engenharia civil, foi professor de Física e de Matemática. Entendia inglês, francês e espanhol. No entanto, preferia compor suas canções de modo que, do pedreiro ao médico, todos os ouvintes entendessem o sentimento que queria transmitir.
Esse sentimento não era pequeno, recatado. Era exagerado, doído, hiperbólico. As letras de suas canções refletiam essa característica do cantor, como na famosa música Boate Azul, em que declamou: “Doente de amor, procurei remédio na vida noturna… A dor do amor é com outro amor que a gente cura”.
Por uma triste coincidência, a partida do Rei do Brega veio acompanhada de dores no peito, mas não do tipo que uma de suas poesias carregadas de emoção pudessem curar. Mas para aqueles que continuam a sofrer de amor, o artista não partiu deste mundo sem antes deixar um legado de canções bregas, qualidade que nem por um segundo considerou pejorativa. Afinal, para ele, “pra fazer sucesso em qualquer lugar do mundo é preciso bregar” (frase dita em entrevista ao G1).
(*) Jornalista mestre em Comunicação Social, pós-graduada em comunicação digital, especialista em marketing