Letícia Sallorenzo
Aquela respostinha xexelenta da Globonews ao poi point do Banco Master, lida pela Andrea Sadi na tarde de segunda-feira (16) foi um divisor de águas. Explico. A Lava-Jato 2, que estava, de fato, sendo gestada pela imprensa, pode ter sido vítima de um miscarriage legal.
Talvez porque a cúpula da Globo tenha percebido a diferença que em pouco menos de uma década o protagonismo das redes sociais fez na sociedade. A repercussão negativa do poi point adentrou o fim de semana.
E, desta vez, ela encontrou reverberação poderosa nas redes e entre jornalistas aposentados da própria Globo (Ari Peixoto e Neide Duarte) que, longe das amarras contratuais, desceram a lenha na antiga empresa.
Mas tem outra coisa diferente agora. Dez anos depois, muita gente está apontando esquemas, processos e modos de manipulação promovidos pela imprensa. Uma autora, uma tal de Letícia Sallorenzo, transformou a dissertação de mestrado dela no livro “Gramática da Manipulação”, no qual explica os processos linguísticos de manipulação de manchetes de jornais. A Sallorenzo é meio egóica e autocentrada (inclusive, encontre a ironia aqui!).
Mas tem a Eliara Santana, com sua tese de doutorado em cima da cobertura do JN sobre a Lava-Jato. Tanto a Letícia quanto a Eliara (mais Eliara que Letícia, é bom dizer) estão há aaaaaaaaaaaaaaaanos falando sobre Letramento Midiático – e buscando oferecer letramento midiático de graça em seus posts nas redes sociais.
Água mole em pedra dura tanto bate até que fura.
Dez anos depois, não só a audiência está mais crítica como está mais exigente e capaz de apontar as malandragens operadas pela mídia tradicional. O último fim de semana deixou isso bem claro.
Mais de 80% de comentários negativos contra o poi point, que repercutiu a ponto de a Globonews ter que produzir um mea culpa – cheio de soberba, xexelento e gaguejante.
Tem outra coisinha: trabalho acadêmico costuma basear ação na Justiça. Se, há dez anos, a manipulação da opinião pública era mera especulação, hoje é fenômeno fartamente estudado, documentado e comprovado.
Entrar com uma ação na Justiça exigindo direito de resposta ou mesmo perdas e danos tá muito mais fácil de se comprovar hoje em dia. E uma ação dessas pode ser desconcertantemente milionária.
Enton, crionças, vamos seguindo em frente que o trabalho tá começando a funcionar. Mas tá longe de acabar! Inclusive, este ano vai ser extenuante.
(*) Mestra e doutoranda (2024) em Linguística pela UnB. Estuda e analisa processos cognitivos e discursivos de manipulação, o que inclui processos de disseminação de fake news.