Agora é briga de rua

bsbcapitalPor ,04/03/2016 às 13:20, Atualizado em 09/07/2016 às 3:53

A 24ª etapa da Operação Lava-Jato, deflagrada na manhã desta sexta-feira (4), acendeu definitivamente a luz vermelha no Partido dos Trabalhadores e nos movimentos sociais historicamente ligados à legenda. Por todo o país, o clima entre militantes é de “vigília e mobilização” contra a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para depor …

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A 24ª etapa da Operação Lava-Jato, deflagrada na manhã desta sexta-feira (4), acendeu definitivamente a luz vermelha no Partido dos Trabalhadores e nos movimentos sociais historicamente ligados à legenda. Por todo o país, o clima entre militantes é de “vigília e mobilização” contra a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para depor à Polícia Federal no aeroporto de Congonhas, em São Paulo.

Tão logo a notícia do início da Operação Aletheia (em grego, busca da verdade) tornou-se pública, aliados do petista passaram a articular a reação, utilizando-se principalmente das redes sociais. O presidente da legenda, Rui Falcão, divulgou um vídeo em que chama a condução de Lula como um ato policialesco e midiático. E convocou a militância a organizar a reação.

De dentro de um táxi, ainda de cabelos molhados, a deputada federal Jandira Feghalli (PC do B-RJ) dirigia-se a um encontro na capital paulista onde os defensores de Lula debateram durante toda a manhã os caminhos para mostrar apoio popular ao ex-presidente. “A sociedade não aceitará este golpe contra a legalidade e a democracia brasileira”, disparou.

No Rio de Janeiro, o senador Lindiberg Faria (PT-RJ), sem camisa, partiu para a periferia em busca de reunir aliados para ficarem em alerta. No subúrbio de São Paulo, o Movimento Sem-Terra (MST) contratou 50 ônibus para transportar pessoas de Cidade Tiradentes, na Zona Leste, um reduto petista, dispostas a ir para um ponto de concentração ainda a ser definido pela coordenação da movimentação.

No vídeo gravado por Rui Falcão, ele conclama todos os diretórios regionais do PT a ficarem “em alerta contra o golpe”. Além de discursos de deputados e senadores do partido atacando a ação da PF, as principais lideranças petistas da capital da República foram convocadas para uma reunião de emergência numa casa no Lago Sul. Outros grupos estão concentrados na sede local do PT, em vários sindicados e na Central Única dos Trabalhadores (CUT).

A presidente Dilma Rousseff aparentemente não foi informada antecipadamente da deflagração da 24ª etapa da Lava-Jato. Por volta das 6h30, quando a Polícia Federal cumpria os 44 mandados de busca e apreensão e condução coercitiva de pessoas em São Paulo (capital), no Rio de Janeiro, Salvador (BA), e nas cidades paulistas de São Bernardo do Campo , Atibaia, Guarujá e Manduri, ela fazia sua atividade física matinal, pedalando pelas imediações do Palácio da Alvorada, na Vila Planalto.

Ao contrário da presidente da República, o editor-chefe da revista Época, do grupo Globo, parecia “adivinhar” os acontecimentos da manhã. Por volta das 2h da madrugada, ele postou os seguintes tuítes: “Quase duas da manhã. Poucas horas para um amanhecer que tem tudo para ser especial, cheio de paz e amor”; “Vamos observar com atenção as próximas horas. Elas não serão fáceis. Notícias concretas assim que possível…”, escreveu.

Ex-presidente da OAB do Rio de Janeiro e deputado federal pelo PT fluminense, o advogado Wadih Damous considerou a ação da PF contra Lula “um seqüestro perpetrado a mando do juiz da Lava-Jato. “Condução coercitiva acontece quando alguém intimado a depor perante o juiz não comparece. Lula jamais se negou a depor e sequer foi intimado”, publicou ele, também pelo Twiter. E completou: “o juiz Moro não é competente para apurar os fatos relativos a Atibaia e a um triplex do Guarujá. Portanto, o que “está em curso um golpe de estado”.

O deputado distrital Chico Vigilante (PT-DF) também saiu em defesa do ex-presidente. “O alvo da República de Curitiba, formada pelo juiz Sérgio Moro, pela grande mídia e setores do Ministério Público e da Polícia Federal mancomunados com a oposição, sempre foi o ex-presidente Lula. Mas o povo está atento. “Não vamos aceitar mais essa tentativa de golpe e iremos às ruas com toda a nossa militância defender o maior líder político que o Brasil já teve”. E questionou por que não se investiga o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

“Agora é briga de rua, e vai morrer gente”, vociferou um influente petista antes de desligar o celular para entrar na reunião na casa no Lago Sul de Brasília.

 


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