A Skull JJ Team se pronunciou sobre a denúncia de assédio sexual e violência psicológica feita por uma adolescente de 17 anos contra Carlos Umbelino, conhecido como Carlão, de 44 anos, professor de jiu-jitsu da unidade do Riacho Fundo I. Em respostas enviadas ao Brasília Capital, o correspondente jurídico da organização, Lúcio Athayde, enfatizou que o mestre Cleudson França, presidente da Skull JJ Team, não possui envolvimento com o caso.
Perguntado se França teria dito à atleta que “não era criancinha inocente”, que “sabia o que estava acontecendo” e que “a Justiça não acreditaria nela por conta do tempo entre os fatos e a denúncia”, Athayde rebateu a versão dada pela jovem. “O mestre França nega veementemente essa informação”.
Também declarou que o nome de Cleudson França não aparece no processo, que tramita em segredo de justiça. “O mestre França não responde a coisa alguma. O nome dele nem aparece”, disse.
Defesa de Cleudson França, fundador e presidente da Skull JJ Team, rebate acusação de negligência no caso. Ele não é investigado. Foto: Reprodução/Instagram
Ainda segundo a defesa, assim que tomou conhecimento do caso, a equipe afastou imediatamente o professor acusado e proibiu sua presença em qualquer unidade ligada à organização. O afastamento, de acordo com a Skull JJ Team, permanecerá até uma decisão judicial definitiva.
Critérios de seleção
Lúcio Athayde também detalhou os critérios adotados para seleção de professores que atuam nas unidades do projeto social mantido no Distrito Federal e informou que “não é necessário ser diplomado em educação física para ser professor de jiu-jitsu”, nem ter registro no Conselho Regional de Educação Física (CREF-DF). Entre os requisitos exigidos estão ser “faixa preta na modalidade, reputação ilibada e apresentação obrigatória de certidão negativa de antecedentes criminais em todo o território nacional”.
O caso foi revelado pelo Brasília Capital na última quarta-feira (15). À reportagem, a vítima narrou que os supostos crimes começaram após ela namorar o filho de Carlão, descrito por ela como uma figura respeitada no meio esportivo e ligada à igreja. A atleta afirma que, durante um período de dificuldades familiares e financeiras, recebeu do professor um convite para passar cerca de 30 dias na casa da família.
Segundo a adolescente, a proposta teria sido apresentada como um apoio emocional e espiritual. “Ele dizia que queria me ajudar com meus traumas, me levar para a igreja e fazer uma transformação espiritual”, relatou.
No entanto, afirma que, durante o período em que permaneceu na residência do acusado, passou a sofrer situações de constrangimento e comentários inadequados. “Ele falava coisas de cunho sexual, perguntava da minha vida íntima e contava detalhes da intimidade dele com a esposa. Ele falava sobre o meu corpo, dizia que minhas pernas chamavam atenção, que eu era um ‘mulherão’ e que qualquer homem teria atração por mim. Eu nunca imaginei ouvir aquilo de alguém que eu considerava como um pai”.
Um boletim de ocorrência foi registrado pela mãe da adolescente na 29ª Delegacia de Polícia do Riacho Fundo, em 4 de março, e desde então o caso é investigado pela 27ª DP do Recanto das Emas sob sigilo. O advogado David Santa Bárbara, que representa a menor, confirmou que foi concedida medida protetiva para preservar a integridade física, psicológica e moral da jovem.
Procurado pela reportagem para comentar as acusações, o professor Carlos Umbelino respondeu apenas que entraria em contato com o advogado. “Vou expor meu lado porque as pessoas só estão ouvindo o lado dela”, declarou em áudio enviado ao Brasília Capital. O espaço segue aberto para manifestações.