A política e os religiosos

BSB Capital 17/07/2022 às 9:00, Atualizado em 18/07/2022 às 9:40

Não importa que seja de esquerda ou de direita, mas que tenha preocupação com o bem-estar social e o progresso dos cidadãos

José Matos. Foto: Divulgação

José Matos

A maioria dos religiosos mostra-se desinteressada por política, esquecendo-se de que tudo vem dela. Jesus, mostrou seu apreço por política quando ensinou: “dê a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus”.

A religião cuida da evolução na vertical e a política, na horizontal. O religioso deve ser, antes de tudo, um cidadão consciente dos seus deveres e direitos.

Se é interessado, não importa que seja de esquerda ou de direita, o que importa é que tenha preocupação com o bem-estar social e o progresso dos cidadãos, votando, igualmente, em candidatos sinceros, que também tenham esta mesma preocupação e programa.

Há, no Brasil, uma elite do atraso, de mentalidade escravista e colonial, imitada por uma classe média insensível que pensa que é rica e que ambas se opõem a qualquer política social que inclua os pobres na direção do progresso.

Inventam justificativas, mas o que querem mesmo é ter sempre pessoas muito pobres para lavar seus banheiros a preços vis. Neste meio, vemos religiosos de todos os matizes, igualmente, exploradores, que devem ser classificados como frequentadores de templos religiosos, mas não de religiosos.

O verdadeiro religioso é compassivo, como pedia Buda; caridoso, como pedia Maomé; ou amoroso, como pedia Jesus. “Religioso” explorador, insensível e contra a inclusão social não é, absolutamente, religioso.

Os Estados Unidos, mesmo sendo um país capitalista e não sendo exemplo, como são Suécia, Suiça, Holanda, Luxemburgo e Dinamarca, fizeram reforma agrária e incluíram os negros em cotas raciais. Não é pecado ser capitalismo ou socialismo. O pecado é não ser capitalismo social ou socialismo democrático.

O capitalismo não social faliu. O comunismo sem liberdade faliu. É hora de avançar! Se não elegermos governantes que tenham compromissos com a inclusão social, teremos mais violência que condomínios fechados, carros blindados e armas não evitarão. Armas criam mais violência. É o que vemos, semanalmente, nos EUA e agora também no Brasil.

Não basta fazer caridade. É preciso ação que permita a libertação da miséria. Terra e apoio para pequenos criadores e produtores. Escola de qualidade, integral e profissionalizante para crianças e jovens. Saúde de qualidade que não só cuide da doença, mas que evite a doença. Moradias dignas com saneamento. Aumento das escolas técnicas, mais acessos à universidade pública, empregos…

Religião é ação. Ação no bem. Mahatma Gandhi, exemplo de político e religioso, recomendou a leitura e prática do Sermão da Montanha, contido no Evangelho de Cristo, esclarecendo: “Se se perderem todos os livros sagrados da humanidade e restar apenas o Sermão da Montanha, tudo estará preservado”.

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