A lição de Águas Claras

bsbcapitalPor ,22/05/2016 às 10:15, Atualizado em 09/07/2016 às 3:37

Carlos Pontes Projetada pelo arquiteto Paulo Zimbres, Águas Claras era para ser uma cidade moderna, futurista, ao estilo de Brasília. Parques e intensa arborização compensariam as áreas de chácaras que existiam no local e foram desapropriadas para dar lugar à nova metrópole. Mas, ainda no governo Joaquim Roriz, por pressão das construtoras, ávidas por lucro, …

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Carlos Pontes

Projetada pelo arquiteto Paulo Zimbres, Águas Claras era para ser uma cidade moderna, futurista, ao estilo de Brasília. Parques e intensa arborização compensariam as áreas de chácaras que existiam no local e foram desapropriadas para dar lugar à nova metrópole.

Mas, ainda no governo Joaquim Roriz, por pressão das construtoras, ávidas por lucro, sem se preocupar com o urbanismo e a mobilidade urbana, o gabarito dos prédios foi liberado para o quase infinito. Existem edificações de mais de 30 andares, onde o máximo admitido pelo projeto original seriam 12 pavimentos.

Neste mês de maio, Águas Claras completa 24 anos. Os “espigiões” surpreendem, criando um adensamento populacional exagerado e não suportado pelas vias de trânsito. Somente na área vertical, são 120 mil moradores, 722 edifícios construídos e 143 em construção.

O resultado desse crime contra a cidade aí está. Numa segunda-feira, às 16h, ao lado da Casa Thomas Jefferson, na Rua 9 Sul, fiquei meia hora parado no trânsito. Especialistas já admitem que há uma desvalorização dos imóveis em Águas Claras em função da dificuldade do trânsito.

A Administração Regional demarcou uma ciclofaixa numa das principais avenidas de Águas Claras, e parcela significativa dos moradores critica a preferência para os ciclistas. Mas eles deveriam, mesmo, era fazer um pacto coletivo para só andar de bicicleta quando forem transitar dentro da cidade.

O Detran deveria criar, urgentemente, ciclovias e campanhas educativas de trânsito para educar os moradores a deixar o carro em casa e usar outros meios de transporte. Seria uma das soluções para o caos urbano. Outras seriam a rotatividade de placas, melhorias no metrô, veículos leves sobre trilhos, caronas solidárias, etc.

Águas Claras é a cidade do DF que tem o maior protagonismo nas redes sociais. A Associação dos Amigos e Moradores locais, criada em 2011, conta com 16 mil membros e 500 novas adesões se somam mensalmente, para discutir os problemas da cidade e até a política local e nacional.          Outro grupo, Mães Amigas de Águas Claras e Região, conta com 43 mil integrantes, sendo, talvez, o maior grupo de moradores do DF na internet.

Estudo encomendado em boa hora pelo presidente do Metrô-DF, Marcelo Dourado, prevê que Brasília será totalmente paralisada em matéria de trânsito em 2020, caso não sejam adotadas providências, como o transporte sobre trilhos. É de se elogiar a iniciativa do dirigente do Metrô, um “expert” em mobilidade urbana.

Seja de qual rumo for – vindo de Taguatinga e adjacências, da região de Sobradinho, da BR-60, da BR-40, da BR-70, da BR-20 ou do Lago Sul –, os engarrafamentos em Brasília estão se tornando corriqueiros e o tempo que se leva mais demorado a cada dia.

É preciso o Governo de Brasília adotar políticas públicas que melhorem a mobilidade urbana. Podemos revezar os carros a cada semana. Assim todos sairemos ganhando, desde o bate-papo com os colegas até a economia de combustível. As faixas exclusivas para ciclistas devem ser implementadas, principalmente para o trânsito interno nos núcleos habitacionais planos.

Em Águas Claras o caos urbano já está se antecipando. E estas soluções são urgentes e inadiáveis.

E o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-DF)  que oriente as construtoras a não se preocupar apenas com os lucros, mas também com o bem-estar da população.

 

(*) Jornalista e empresário de agroturismo

 


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