Júlio Pontes
Desde a chegada do publicitário baiano Sidônio Palmeira ao comando da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom-PR), em 14 de janeiro deste ano, os canais oficiais do governo federal avançaram nas plataformas digitais. O ministro assumiu quando Lula enfrentava alta rejeição em seu terceiro mandato.
A jornalista Ana Neves realizou levantamento comparando o comportamento do perfil no Instagram @govbr no primeiros trimestres de 2023 e de 2025. A primeira diferença está na quantidade de publicações: 126 posts a mais na comparação entre os dois períodos.
Outra diferença foi o tom dos posts. Nos três primeiros meses de 2025, 46 deles continham humor. Em 2023, os memes e brincadeiras só apareceram três vezes na timiline do governo.
“Um fato que chama a atenção na tipificação das postagens é o aumento de publicações com foco no Relacionamento de 2023, com apenas 10 posts do tipo no 1° trimestre do ano, para 2025, com 53 postagens no mesmo período”, escreve Ana.
Ela conclui a hipótese afirmando que “o governo, atualmente, foca em estimular a participação nas redes sociais, com o objetivo de alcançar um público maior e, consequentemente, se aproximar desses indivíduos por meio de conteúdos afetivos”.
CONEXÃO – A pesquisa evidencia que, antes de Sidônio, os posts oficiais do governo tinham pouca identificação com os internautas. “Enquanto todas as publicações analisadas em 2023 tiveram, no máximo, 10 compartilhamentos, as de 2025 chegaram a milhares. Em 2023, apenas 3 publicações com o intuito de gerar relacionamento com o público foram feitas, enquanto em 2025 foram 46”.
Antes de Sidônio, o Instagram do governo priorizava aparições de Lula e indistintamente promovia a imagem do presidente da República, mas sem gerar conexão com o público. Por isso, o baixo número de compartilhamentos nas publicações.
A partir da saída do ex-ministro Paulo Pimenta, o uso da linguagem jovem e simples passa a predominar com a utilização do humor, memes, gírias, emojis, estética visual mais colorida e vibrante.
Assim como notou-se, também, que o perfil acompanha tendências das redes, como o caso da ampla repercussão dos prêmios ganhados por Fernanda Torres com o filme “Ainda Estou Aqui” nos canais do governo.
SEMPRE JUNTOS – De acordo com a agenda oficial do presidente, desde a chegada de Sidônio ele já esteve com Lula em 106 oportunidades, entre eventos públicos e audiências a portas fechadas. A mesma agenda aponta para 59 reuniões com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
A comunicação é parte estratégica de qualquer gestão. E quem ainda não entendeu, está perdendo tempo.