A arte de tocar sucatas

bsbcapitalPor ,03/03/2013 às 13:31, Atualizado em 03/03/2013 às 13:31

É mesmo certo o dizer “não há tristeza que dure sempre, nem alegria que não se acabe”. E uma normalmente acompanha a outra. Seguem caminhos distintos e paralelos, mas andam pari passu. Confirma o dito popular a adoção de medida intervencionista pelo Governo do Distrito Federal junto ao Grupo Amaral, pertencente ao ex-senador Valmir Amaral (PTB-DF), sucessor …

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É mesmo certo o dizer “não há tristeza que dure sempre, nem alegria que não se acabe”. E uma normalmente acompanha a outra. Seguem caminhos distintos e paralelos, mas andam pari passu. Confirma o dito popular a adoção de medida intervencionista pelo Governo do Distrito Federal junto ao Grupo Amaral, pertencente ao ex-senador Valmir Amaral (PTB-DF), sucessor de Joaquim Roriz (sem partido), que renunciou ao mandato em meio a escândalos, especialmente na estória da bezerra de ouro.
 A esperada e louvável decisão do GDF não poderia ser outra, e até já veio tarde. As empresas de Valmir Amaral, que abocanham cerca de 15% da bilhetagem de linhas para cidades como Sobradinho, Planaltina, Itapoã e  São Sebastião, ligando-as ao Plano Piloto, vinham prestando um péssimo serviço à população.

Mesmo com um faturamento diário superior a R$ 200 mil, essas empresas não se davam por satisfeitas. Deixavam de lado a manutenção preventiva da frota, fazendo apenas reparos mínimos, à beira das estradas, de qualquer jeito, quando as velhas sucatas pifavam. E ultimamente – absurdo dos absurdos – passaram a recorrer ao desmanche dos veículos que circulam no DF para remendar outros ônibus do grupo que circulam pelas cidades do Entorno. E assim as coisas se iam.

O GDF, por meio da Agência Brasília, divulgou na Web uma nota explicativa dando conta da intervenção. Abriu uma conta bancária, com R$ 15 milhões, dinheiro com o qual os cinco interventores nomeados providenciaram a compra de peças, óleo lubrificante e diesel, entre outros insumos, para iniciar a recuperação da frota. A expectativa é de que, já na segunda-feira, cerca de metade dos ônibus que estavam no estaleiro retornem às ruas.

Assim, certamente, em breve os usuários perceberão sinais de melhoria no serviço. E o GDF garante que os R$ 15 milhões serão ressarcidos aos cofres públicos com a arrecadação proveniente das tarifas pagas pelos passageiros.

O que a sociedade espera, a partir de agora, é transparência na gestão da coisa pública, o que vinha faltando enquanto entregue, por concessão, à iniciativa privada.

Ao assumir a gestão dessas linhas, com o rigor administrativo necessário, em pouquíssimo tempo o GDF saberá quanto é que vinha deixando de arrecadar. Com a iniciativa estatizante demonstrando eficácia, terá o governo motivação mais que suficiente para acelerar a licitação do serviço de transporte público do DF, que vem sendo retardada por seguidas liminares impetradas pelos tubarões do setor, especialmente o dono da Viplan, Wagner Canhedo Filho.

Isso, sim, seria fazer a máquina andar. E Brasília estará dando mais uma lição ao país, ensinando a arte de tocar sucatas, demonstrando serem as mesmas inda rentáveis.


Por Antônio Bezerra

Da Redação 

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