O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki informou nesta quarta-feira (25) que a Procuradoria-Geral da República afirmou, em documento enviado à corte, que o líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), ofereceu R$ 50 mil mensais ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para que ele não fechasse acordo de delação premiada ou, se o fizesse, não citar o parlamentar.
Segundo a PGR, Delcídio também prometeu a Cerveró influir em julgamentos no STF para ajudá-lo. O senador disse que falaria com o vice-presidente da República, Michel Temer, e com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) para influenciar a Corte.
Procurada, a assessoria do senador informou que o advogado dele, Maurício Leite, recebeu uma ligação do Delcídio e embarcou de São Paulo para Brasília para acompanhar o caso. A Presidência da República ainda não se pronunciou.
Por meio de nota, o BTG Pactual disse estar \”à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e vai colaborar com as investigações.\”
Rota de fuga
Segundo Zavascki, o relatório da PGR afirma que os valores prometidos a Cerveró seriam repassados à sua família por meio de um contrato fictício entre o advogado Edson Ribeiro e o BTG Pactual, do banqueiro André Esteves, que também foram presos na manhã desta quarta.
Conforme o documento da PGR enviado à Suprema Corte, há gravação na qual Delcídio do Amaral discutiu meios de rota para nestor Cerveró deixar o país, em caso de o STF conceder habeas corpus.
Ainda de acordo com Zavascki, a procuradoria diz que o Paraguai seria essa rota de fuga proposta por Delcídio para o ex-diretor da Petrobras chegar à Espanha.
Histórico
O líder do governo foi citado na Lava Jato na delação do lobista conhecido como Fernando Baiano. No depoimento, Baiano disse que Delcídio recebeu US$ 1,5 milhão de dólares de propina pela compra da refinaria.
Em outubro, Delcídio havia negado o teor da denúncia de Baiano e disse que a citação a seu nome era \”lamentável\”.
Delcídio também foi citado em outro contrato da Petrobras, que trata do aluguel de navios-sonda para a estatal. Segundo Baiano, houve um acordo entre Delcídio, o atual presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e o ex-ministro Silas Rondeau, também filiado ao PMDB, para dividir entre si suborno de US$ 6 milhões.
O líder do governo havia classificado a denúncia de uma \”coisa curiosa\” que não tem lógica.
Leia mais: