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Fogo que arde e destrói

  • Gustavo Goes
  • 18/10/2015
  • 10:58

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Parque de Águas Claras e Área de Proteção Ambiental do Primavera, em Taguatinga, sofrem três incêndios em um semana

Num intervalo de seis dias, dois parques ecológicos do Distrito Federal sofreram três incêndios. Em pelo menos uma das ocorrências – na Área de Proteção Permanente (APP) do antigo Clube Primavera, em Taguatinga – a causa foi a ação humana: cerca de 400 sem-terra do Movimento de Resistência Popular (MRP), remanejados há um mês para o local pelo Governo de Brasília, atearam fogo à mata, no final da tarde de sexta-feira (9) para construir alojamentos e barracos. Eles se revoltaram ao receberem a notícia de que terão de desocupar a área até o final de novembro, por determinação do governador Rodrigo Rollemberg em cumprimento a uma decisão judicial.

Na quarta-feira (14) e na quinta (15), o Parque de Águas Claras sofreu com incêndios. Servidores do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), que estão em greve, apontam a falta de funcionários nos parques como razão para os desastres. Moradores vizinhos do Parque ficaram assustados. Contam que bastava abrir a janela para perceber a gravidade do incêndio, que teve início por volta das 17h30.

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As chamas arderam durante mais de duas horas e meia, para desespero dos moradores que assistiam, perplexos, pelas janelas dos apartamentos, o trabalho de um grupo de dez homens do Corpo de Bombeiros que tentavam apagar o fogo. “Foi horrível. Nesse calor, o parque é o único lugar fresco e agradável para relaxar.Esperamos que a cena não se repita”, disse a aposentada Beth de Sá, 63 anos.

A situação ficou mais dramática quando as chamas atingiram um bambuzal e atingiram mais de 20 metros de altura, causando maior estrago ao meio ambiente. Um avião e mais duas viaturas foram acionadas para cercar as áreas afetadas, fazer aceiros e conter o fogo, que devastou 30.000 m² dos 861.000 m² da área total do Parque.

Até o final da tarde de sexta-feira (16), os bombeiros ainda não haviam descoberto as causas do incêndio. A única certeza é de que ele foi potencializado pelo clima seco em Brasília. Segundo a assessoria de imprensa do Ibram, apesar do susto, o foco de incêndio se concentrou nos eucaliptos na entrada do Parque e nas gramíneas. A vegetação nativa não foi atingida.

Na quinta-feira (15), outro incêndio de menor proporção atingiu a mesma área do Parque de Águas Claras. Contudo, em poucos minutos foi contido pelos próprios servidores do Ibram que faziam piquete na entrada principal da reserva para impedir o acesso de visitantes e usuários.

O maior incêndio registrado no Parque de Águas Claras ocorreu em 2012, quando o fogo chegou muito próximo às nascentes, comprometeu mata nativa e queimou cerca de 10 hectares. Hoje toda esta área queimada em 2012 já foi recuperada.

 

Seca prolongada

 

Desde abril não chove com regularidade no Distrito Federal. Durante a seca prolongada – houve um período de 100 dias sem cair uma gota d’água – foram registrados 151 focos de incêndios, queimando 974,6 hectares de Cerrado.

Com a greve dos servidores do Ibram, 18 parques foram fechados. Entre eles, o Saburo Onoyama, em Taguatinga Sul ,o Parque da Asa Delta, na QL 12 do Lago Sul, e o da Ermida Dom Bosco, na QI 29. A falta de servidores para fiscalizar as dependências dos locais e de terceirizados da área de limpeza e segurança são os motivos para os portões permanecerem fechadas.

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