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Agronegócio

Guerra não abate produção de frangos no Brasil

Presidente da Copavir afirma que guerra no Irã não impacta setor e promete fortalecer cooperados

  • Orlando Pontes
  • 31/03/2026
  • 08:00

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Fotos: Divulgação

Orlando Pontes

Presidente da Cooperativa de Produtores Rurais de Itaberaí (Copavir), em Goiás, Patrícia Alves de Lellis, 50 anos, tornou-se a primeira mulher a comandar a entidade ao vencer o ex-presidente Vicente Pereira, que ocupava o cargo havia seis anos. Ela passa a liderar mais de 300 cooperados e integrados ligados à SuperFrango, que abate atualmente 540 mil aves por dia. “É a proteína mais barata do mundo”, diz ela, ao comemorar que a cadeia produtiva ainda não sofreu qualquer prejuízo com a crise econômica provocada pela guerra no Irã. “Nós ainda não tivemos nenhum reflexo com esse problema externo”, garante ela em entrevista exclusiva ao Brasília Capital. 

Você já fazia parte, mas agora passa a liderar um ambiente muito masculino. Como é assumir a responsabilidade de presidir a Copavir? — Eu não tenho nenhuma dificuldade de lidar com isso. Sou integrada há 18 anos e sempre trabalhei com homens. É natural. Sei negociar, comprar e vender. Nunca enfrentei esse tipo de barreira.

Como foi sua campanha para superar o presidente que estava à frente da cooperativa há mais de seis anos? — Foi um desafio novo, porque eu nunca tive a pretensão de presidir a cooperativa. Recebi o convite e aceitei para desenvolver minhas habilidades e representar cerca de 300 produtores relevantes. Convidei grandes produtores de Itaberaí e região para compor a chapa. Foi uma campanha tranquila.

Normalmente, quando uma chapa de oposição se elege, ela vem com uma proposta de renovação. O que você pretende renovar na cooperativa? — O principal objetivo é fortalecer a cooperativa e facilitar a vida do produtor. Queremos preço competitivo, mais participação e acolhimento. Hoje, muitos produtores não se sentem representados. A ideia é construir uma cooperativa para todos, com benefícios reais.

Em meio à crise econômica causada pela guerra no Irã, insumos ficaram mais caros. Isso afeta a produção de frango? — Até agora, não. O Brasil é um país produtivo, um verdadeiro celeiro. Temos oferta de alimento e não houve reflexo desse problema externo na nossa atividade.

Então, quem consome frango não precisa se preocupar com aumento de preço? — Não. O frango continua como a proteína mais barata. O consumo segue firme. Tenho, inclusive, planos de ampliar a produção, com mais aviários. A meta é levar a Superfrango a um milhão de abates por dia.

Como a senhora vê a candidatura de Ronaldo Caiado, um ruralista histórico, à presidência da República? — A cooperativa espera um presidente que defenda o produtor. A atividade é desafiadora, exige altos investimentos e depende de fatores como preço, crédito e custo da terra. Nos últimos anos, houve queda de preços e aumento de juros.

Como a cooperativa pretende melhorar esse cenário? — Não vejo ameaça para a avicultura. A cooperativa está totalmente ligada a essa atividade, diferente de quem depende de culturas como soja e milho. Isso nos dá mais estabilidade.

Qual mensagem a senhora deixa para os cooperados? — Sou apaixonada pelo que faço. Produzir alimento é motivo de orgulho. Quero inspirar mais pessoas a atuar no setor. A parceria com a São Salvador Alimentos, a Superfrango, é fundamental. Também acredito no crescimento da presença feminina. A mulher tem habilidade de negociação, flexibilidade e capacidade de adaptação. 

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