Uma resolução aprovada na quarta-feira, 25 de março de 2026, pela Organização das Nações Unidas, trouxe à tona antigas disputas históricas e políticas relacionadas ao tráfico de africanos escravizados e os impactos que esse crime ainda causa nos dias de hoje. O documento orienta que os Estados-Membros considerem fazer pedidos formais de desculpas por esse passado de violações e sugere a criação de um fundo internacional para reparação.
Apoio e Oposição Internacional
Liderada pela União Africana, essa proposta contou com o apoio de 123 países, incluindo o Brasil. No entanto, três países, especificamente os Estados Unidos, Argentina e Israel, votaram contra, enquanto 52 se abstiveram, entre eles, vários países da União Europeia.
A Necessidade de Reconhecimento e Reparação
O cerne do debate se concentra na classificação da escravidão como o crime mais grave contra a humanidade e na necessidade de responsabilização histórica, por meio de ações concretas de reparação. A historiadora Martha Abreu, da UFF, é uma das vozes que ecoa essa ideia, afirmando que o tráfico e a escravidão de africanos representam, de fato, o maior crime contra a humanidade, considerando suas consequências que ainda perduram.
Além disso, Jurema Werneck, diretora executiva da Anistia Internacional, ressalta a importância de reconhecer e valorizar as lutas antiescravista e antirracista, evitando, assim, a hierarquização dos sofrimentos. Por outro lado, a União Europeia não reconheceu a responsabilidade do continente em relação ao tráfico e à escravidão de africanos, argumentando que as normas internacionais atuais não podem ser aplicadas a períodos históricos.
Esse é um tema complexo que merece uma reflexão profunda, especialmente à luz dos acontecimentos atuais e do nosso passado.