Na manhã do último domingo, o Papa Leão XIV deu início às celebrações da Semana Santa com uma oração na Praça de São Pedro. A atmosfera estava repleta de fé, com dezenas de milhares de devotos lotando a praça e as colunatas do Vaticano para participar da missa do Santo Padre. Muitos dos presentes trouxeram ramos de oliveira e palmas, prontos para serem abençoados durante a cerimônia.
Durante a celebração, o Papa fez uma reflexão profunda: "Olhamos para Jesus, que se apresenta como Rei da paz, enquanto à sua volta se prepara a guerra. Ele, que permanece firme na mansidão, enquanto os outros se agitam na violência. Ele, que se oferece como uma carícia para a humanidade, enquanto outros empunham espadas e paus. Ele, que é a luz do mundo, enquanto as trevas estão prestes a cobrir a terra. Ele, que veio trazer a vida, enquanto se completa o plano para o condená-lo à morte." Essa mensagem clara ecoou como um aviso em relação aos conflitos atuais.
"O nosso Deus é Jesus, Rei da paz", continuou o Papa. "Um Deus que recusa a guerra, que ninguém pode usar para justificar a guerra, que não escuta a oração de quem faz a guerra e a rejeita, dizendo: ‘Mesmo que multiplicásseis as vossas orações, eu não vos escutaria: as vossas mãos estão manchadas de sangue’." Com isso, Leão XIV fez um apelo sincero: "Depõem as armas, lembrem-se de que sois irmãos".
Ao final da celebração, o Papa percorreu a Praça, abençoando os fiéis e cumprimentando as crianças. Quando estava voltando para o interior do Vaticano, um grupo de peregrinos espanhóis gritou: "Vemo-nos em breve em Espanha!" O Papa, que tem uma visita programada à Espanha no início de junho, sorriu e acenou em resposta.
Mais tarde, durante o Angelus, ele voltou a dirigir um apelo pela paz no Médio Oriente. "Caros irmãos e irmãs, no início da Semana Santa, estamos mais do que nunca próximos, em oração, dos cristãos do Médio Oriente, que sofrem as consequências de um conflito atroz e, em muitos casos, não podem viver plenamente os ritos destes dias santos." Enquanto falava, chegou a notícia de Jerusalém sobre a detenção do cardeal Pizzaballa e do reverendíssimo Ieplo pela polícia israelita, que os impediu de celebrar a missa no Santo Sepulcro.
"Precisamente enquanto a Igreja contempla o mistério da Paixão do Senhor, não podemos esquecer quantos hoje participam de forma real no seu sofrimento. A sua provação interpela a consciência de todos. Elevemos a nossa súplica ao Príncipe da paz, para que sustente os povos feridos pela guerra e abra caminhos concretos de reconciliação e de paz", afirmou o Pontífice.
Ele também expressou sua preocupação com os marítimos vítimas da guerra: "Rezo pelos mortos, pelos feridos e pelos seus familiares. Terra, céu e mar foram criados para a vida e para a paz. E rezemos por todos os migrantes que perderam a vida no mar, especialmente pelos que morreram nos últimos dias ao largo da ilha de Creta."
A semana que leva à Páscoa promete ser intensa para o Pontífice, que estará envolvido em diversas atividades.