Júlio Pontes
Há pouco tempo, o TikTok era a rede social para fazer “dancinhas”. Hoje, com mais de 2 bilhões de usuários ativos por mês (só no Brasil são quase 100 milhões), nenhuma equipe de comunicação política ignora a importância da plataforma.
Ainda que os próprios candidatos não tenham costume de usá-la e que não seja permitido o tráfego pago para temas sociais e políticos, assessores são cobrados diariamente por seus chefes que querem atingir “público mais jovem”.
Em um passado não tão distante, os políticos que tinham maior afinidade com as redes sociais eram classificados, de maneira pejorativa, de “tiktokers”. É bem verdade que os opositores ainda tentam emplacar o apelido nos mandatários mais acostumados com o ambiente digital.
Porém, a alcunha perde recorrência a cada ano. E quem determinou isso foram os resultados das urnas nas eleições de 2024. Em grandes capitais, como Recife, Maceió e Florianópolis, os prefeitos vencedores com grande aprovação (todos em primeiro turno)) tinham como prioridade o marketing digital.
Apesar de defender há anos que políticos precisam considerar elementos como humor nas suas redes sociais, reforço que é preciso ponderar a história e o perfil de cada caso.
A mais recente polêmica envolvendo “dancinha” foi protagonizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se tornou alvo de críticas (de ambos os lados da polarização) após dançar em evento político em Roraima, no dia em que seu pai, o ex-presidente Jair, foi internado no DF Star.
Mas não só por isso. O público do senador não estava acostumado a vê-lo dançando funk. Flávio foi classificado pelo também presidenciável Renan Santos (Missão) como “completo retardado”. Seu correligionário Gustavo Gayer (PL-GO) brincou que o Zero Um “imitou um orangotango”.
Especialistas recordam que a “dancinha” segue um padrão implementado por extremistas de direita, como os presidentes Donald Trump (EUA) e Javier Milei (Argentina).
As semelhanças com Trump e Milei não param por aí: assim como o norte-americano e o argentino, Flávio tenta passar mensagens através das peças de roupas. Se eles usavam bonés com slogans, o brasileiro escreveu na camisa que o “Nordeste é solução”.
Em outubro, saberemos se a “dancinha” do “presidente tiktoker” vai se traduzir em votos na região que é a “solução”, onde as pesquisas eleitorais apontam ampla vantagem para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT.